Fotografia

Fotos sinistras do misterioso vale tóxico na Romênia assolado pela mineração

por: Kauê Vieira

A humanidade promove desastres ambientais diariamente, o que muda é somente a dimensão dessas tragédias – algumas, de tão grandiosas e fatais, tornam-se marcos, como foi Chernobyl ou, por aqui, o rompimento das barragens em Brumadinho e Mariana. O fato, no entanto, é que destruir a natureza e, com isso, um sem número de vidas parece ser parte tão essencial quanto lamentável do que chamamos de avanço – de tal forma que sequer tomamos conhecimento da maioria dos pequenos e constantes desastres ambientais provocados pela humanidade ao redor do planeta. Quem de nós, por exemplo, já ouviu falar sequer na tragédia o ocorrida na cidade romena de Geamăna, no final dos anos 1970?

Passados mais de 40 anos do desastre ocorrido por lá, recentemente um fotógrafo registrou os efeitos que ainda permanecem sobre o antigo vilarejo localizado nos Montes Apuseni, na Romênia, hoje uma cidade fantasma – que, em 1978, foi evacuada por ordens do ditador Nicolae Ceausescu para transformar o vale onde a cidade ficava na bacia de decantação de uma imensa mina de cobre. Em resumo, a região foi toda inundada e os rejeitos de Rosia Poieni, um dia a maior mina de cobre de toda a Europa, até hoje seguem sendo bombeados por sobre uma superfície de mais de 360 hectares onde hoje um lago tóxico cobre toda a cidade – somente algumas poucas casas, a cúpula de uma igreja e, simbolicamente, o resto de um cemitério ainda resistem.

A promessa era de riqueza e prosperidade para a região, mas o que veio de fato em troca foi somente uma indenização equivalente a pouco mais de 1500 euros para cada uma das famílias das cerca de 1000 pessoas que viviam na região – e poluição e morte. As famílias foram relocadas e o local foi inundado para o estabelecimento da mina, que produz cerca de 11 mil toneladas de cobre por ano. E, assim, o lago metálico e tóxico segue crescendo – estima-se que até 90 centímetros por ano, e foi esse trágico efeito colateral da gana humana que o fotógrafo alemão Andy Schwetz registrou para o site Bored Panda – e para nossa absoluta tristeza e desilusão.

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© fotos: Andy Schwetz


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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