Debate

Há 4 anos sem sexo, cantor Netinho ataca comunidade LGBTQ+ e Carnaval

por: Yuri Ferreira

O cantor Netinho, conhecido pelos hits ‘Milla’ e ‘Beijo na Boca’ e considerado um dos maiores nomes do axé brasileiro nos anos 90, revelou que não faz sexo há 4 anos. Em entrevista às redes sociais de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, Netinho aproveitou para vomitar opiniões: disse que o movimento LGBT só ‘pensa no fiofó‘ (vale lembrar que ele é bissexual assumido) e que o Carnaval ‘é Sodoma e Gomorra‘.

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Netinho, que ascendeu a fama por causa do Carnaval e é bissexual, aproveitou a chance de falar para criticar, olhe só: o Carnaval e o movimento LGBT

Netinho passou por diversos problemas de saúde nos últimos anos: em entrevista ao UOL em 2017, afirmou ter atravessado 3 AVCs, além de quadros de depressão e tentativas de suicídio, tema que abordou na conversa com Eduardo Bolsonaro.

Bissexual assumido desde 2010, agora ele entra um psicose conservadora anti-movimento LGBT e pró-Jair Bolsonaro, aquele mesmo que afirmou preferir ter um filho morto em acidente do que homossexual. Ele alega que desde 2016 se mantém abstêmio da prática sexual. “Não podia ver um buraco de fechadura que me dava tesão”, disse.

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E então partiu para o ataque contra o movimento LGBT. “Se esse pessoal LGBT não vivesse de acordo com o fiofó, porque eles vivem assim, pensando no fiofó, estariam hoje comandando o Brasil junto com o Jair (Bolsonaro), apoiando o Jair, ia ser maravilhoso. Mas eles foram doutrinados a enxergar a vida pela lente do fiofó”. Isso mesmo que você leu: para Netinho, se opor ao presidente é ‘pensar com o fiofó‘.

Além disso, vale ressaltar que ele forjou toda sua carreira em cima do Carnaval da Bahia. Não sei se alguém contou pra ele, mas a festa da carne é um local de expressão da cultura, da sexualidade, é praticamente uma suspensão da moral cristã do Brasil desde o início do século passado. E o cantor se beneficiou financeiramente dessa cultura por anos. Agora, critica sob um viés homofóbico a maior festa popular do nosso país.

“É Sodoma e Gomorra. As famílias que têm filhos adolescentes não querem mais levar para a Bahia, vão ver homem se beijando com homem, abaixando o short no meio da rua para o pessoal do camarote assistir, os camarotes são inundandos de drogas”, disse.

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Para quem quiser entender um pouco mais, isso não é incomum. O termo ‘Self-hating Jew’ (algo como judeu que se odeia ou judeu antissemita) foi cunhado nos anos 30 para os pensadores e ideólogos de origem judaica que criticavam a organização do povo judeu. Deu no que deu, né. O termo hoje tem utilização controversa, especialmente no que se refere à questão de Israel. Mas voltemos ao Netinho.

Para não dizer que estamos inventando, se você quiser ouvir essa sequência de bizarrices saindo da própria boca dele, tá aqui:

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Fotos: Reprodução/Twitter


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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