Futuro

Historiador que há 20 anos previu grave crise, diz que vivemos momento perigoso na história

por: Vitor Paiva

No final dos anos 1990 o historiador estadunidense Neil Howe se juntou ao colega William Strauss para juntos anunciarem a previsão de que no ano de 2020 os EUA alcançariam o auge de uma grande crise. Para acertar no centro do alvo de sua leitura do futuro, Howe e Strauss não recorreram, no entanto, a bolas de cristal, cartas ou outro sistema místico de adivinhação, mas sim à própria história – e a uma profunda pesquisa que percebeu padrões em ciclos geracionais desde 1584 e até hoje na história de seu país. E carregando o crédito de terem há 20 anos de certa forma previsto o contexto atual, os dois pesquisadores afirmam que nos encontramos em um período perigoso dos tempos.

O historiador Neil Howe

Foram Howe e Strauss que também cunharam o termo “geração milenial” para determinar as pessoas nascidas a partir do início dos anos 1980 e, no livro The Fourth Turning (A Quarta Virada) os dois explicam suas teorias. De acordo com a publicação, a história americana (e dos demais países desenvolvidos) se dá através de ciclos que estabelecem quatro grandes mudanças geracionais – período determinado de cerca de 20 a 25 anos. Tais mudanças, “como estações do ano”, segundo Howe, e como se deu na Guerra Civil, na Grande Depressão e na Segunda Guerra Mundial, provocam grandes crises estruturais no país.

Howe e seu parceiro William Strauss

A quarta mudança – a tal quarta estação geracional – costuma acontecer 80 a 90 anos depois do começo do ciclo. Em conversa com a BBC Mundo, Howe explicou que um período de grande individualismo estava encontrando sua terceira crise nos anos 1990, e que duraria até cerca de 2030 – e portanto o ponto crítico de reflexão seria a década de 2020, com início no ano atual.

Joe Biden, candidato democrata a presidente nas eleições de 2020

Howe lembra que seu trabalho não é de previsão de eventos, mas sim de “ânimo social” – e a entrevista trata de diversos pontos da história dos EUA e de seu reflexo sobre o planeta, assim como da próxima eleição no país. E se, por um lado, seu olhar sugere que os EUA podem entrar numa grande crise a partir da próxima eleição, por outro afirma que períodos de tempestade como o atual são sucedidos por bonanças igualmente históricas. “As idades douradas quase sempre se referem a uma época depois de uma crise se resolveu com êxito e integrou a sociedade em uma nova dinâmica de comunidade”, diz Howe. “Isso geralmente permite que a sociedade lance essa era dourada que frequentemente as sociedades lembram como o momento em que todos esperavam progredir e ter um futuro melhor. Isso, certamente, não é algo que caracteriza os Estados Unidos hoje”.

As filas de desempregados que marcaram o cenário dos EUA durante a Grande Depressão

A reportagem da BBC com Howe pode ser lida aqui.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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