Ciência

Imagens inéditas de sonda da Nasa mostram “fogueiras” na superfície do Sol

por: Vitor Paiva

O Sol é um astro de temperamento literalmente explosivo, que não permite que nada ou ninguém se aproxime demais – e por isso as novas imagens de nossa estrela preferida feitas “de perto” pela sonda Solar Orbiter são históricas: lançada neste ano pela Agência Espacial Europeia, a sonda chegou a “somente” 77 milhões de quilômetros da superfície solar para registrar o Astro-Rei em toda sua magnitude.

Em meio às diversas descobertas levantadas através do registro realizado pela Solar Orbiter estão uma série de pequenas explosões, como “fogueiras de acampamento” ocorridas na superfície em um milionésimo do tamanho das costumeiras explosões solares.

© ESA/NASA

As fogueiras são como pequenas erupções que, segundo cientistas, podem começar a explicar um misterioso fenômeno chamado de ‘aquecimento coronal’, quando partes da camada exterior do Sol – também conhecida como “corona” – se tornam de 200 a 500 vezes mais quentes que camadas abaixo.

“Estamos ansiosos para investigar isso mais profundamente na medida em que a Solar Orbiter se aproxima do Sol e nossa estrela fica mais ativa”, afirmou David Long, um dos pesquisadores que lideram o gerador de imagens da SolO, a Extreme Ultraviolet Imager (EUI). A missão da sonda, lançada em fevereiro desse ano, é justamente de ajudar a desvendar segredos do comportamento do Sol.

A seta mostra uma das fogueiras e, no canto inferior direito, o círculo mostra a comparação com a dimensão da Terra © ESA/NASA

Realizando uma série de voltas ao redor do Sol, a cada contorno completado a sonda se aproxima um pouco mais – o objetivo é chegar tão próximo quanto a 43 milhões de quilômetros de distância, com a SolO dentro da órbita de Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol.

As últimas fotos apresentadas mostram a passagem mais recente pelo astro-rei, dentro da órbita de Vênus – para medidas de comparação, a Terra orbita em uma média de 149 milhões de quilômetros de distância do Sol. As imagens da sonda são as mais próximas já feitas, mas não de melhor qualidade, realizadas pelos imensos telescópios solares em solo terrestre.

Onda de luz conhecido como Lyman-alpha, que detecta hidrogênio na atmosfera inferior do Sol, em região de temperaturas variando entre 10 mil a 100 mil graus © ESA/NASA

“A Solar Orbiter não está se aproximando do Sol apenas para obter imagens de alta resolução: ela está se aproximando para entrar em uma parte diferente e menos turbulenta do vento solar, estudando partículas e campos magnéticos in situ nesta distância mais próxima, enquanto simultaneamente capta dados remotos na superfície do Sol e imediatamente ao redor dele, com contexto”, disse Mark McCaughrean, conselheiro sênior para Ciência e Exploração da agência europeia, em entrevista à BBC.

“Nenhuma outra missão ou telescópio consegue fazer isso”, concluiu.

As complexas dinâmicas do comportamento solar registrado pela sonda © ESA/NASA

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© fotos: ESA/NASA


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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