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Jovem picado por naja sai do coma e polícia investiga criação de serpentes

por: Yuri Ferreira

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmku, o estudante de medicina veterinária de 22 anos que foi picado por uma cobra naja, será investigado por tráfico de animais silvestres. A serpente que picou Pedro não é natural do Brasil e a Polícia Civil está atuando para entender o caso; outras 22 cobras de espécies exóticas foram encontradas no Núcleo Rural Taquara, em Planaltina (GO).

Segundo relatos de testemunhas, trata-se de um grupo de estudantes de veterinária de classe média alta que adquirem animais raros. “A investigação revela um possível esquema de tráfico de animais. Vamos investigar a origem dessas cobras, como chegaram no Brasil”, afirmou o delegado responsável pelo caso ao G1.

– O que aconteceu com o homem que injetava veneno de cobra em si mesmo diariamente

Outras cobras que podem estar relacionadas a Pedro foram apreendidas pela Polícia

Pedro foi internado na última quarta-feira após ser picado pela cobra, que produz uma neurotoxina capaz de causar grandes danos à saúde. A última dose de soro antiofídico disponível no país contra o veneno da naja foi disponibilizada pelo Instituto Butantan, mas não surtiu efeito no suspeito. Segundo apuração do UOL, ele está com necrose no braço e lesões graves no coração causadas pelo veneno da serpente.

Ele saiu do coma, mas se mantém na ventilação mecânica do Hospital Maria Auxiliadora, no Gama (DF). A cobra que picou Pedro foi entregue à Polícia por um amigo e agora está no Zoológico de Brasília. Segundo o major Elis Cunha, do Batalhão Polícia Militar Ambiental do Distrito Federal, testemunhas informaram que o amigo que devolveu a cobra às autoridades teria sido responsável por colocar as 16 cobras no haras em Planaltina.

– É isso que acontece quando o veneno de cobra entra em contato com seu sangue

“Com o apoio do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais], conseguimos confirmar que ele criava animais proibidos na casa dele. Após ouvirmos algumas pessoas, chegamos a um grupo de estudantes de veterinária de classe média para alta que tem interesse em estudar animais exóticos e, por isso, obtinha esses animais. Esse grupo tinha até um presidente”, afirmou o delegado responsável pelo caso ao UOL.

O Ibama já notificou que irá aplicar uma multa ao estudante. Segundo especialistas, a espécie foi criada em cativeiro, por não apresentar melanina, incomum para a esse tipo de naja. Natural da Tailândia, as autoridades informaram que não houve qualquer tipo de registro do animal entrando no Distrito Federal. Em breve, a naja ganhará um novo destino – provavelmente, o Instituto Butantan, servindo para pesquisa científica.

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Fotos: Divulgação/BPMA-DF


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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