Ciência

Júpiter pode possuir núcleo cósmico com 40 vezes o tamanho da Terra

por: Vitor Paiva

Desde cedo aprendemos que Júpiter, o maior planeta de todo o Sistema Solar, é uma gigante e inóspita bola de gás – junto com Saturno, Urano e Netuno forma os quatro gigantes gasosos que, como o nome sugere, além de imensos são planetas que praticamente não possuem matéria sólida.  Uma descoberta recente, porém, coloca tais definições em cheque – principalmente se comparada com as dimensões de um planeta como a Terra: o exoplaneta TOI-849b, localizado a 730 anos-luz de distância, que seria em verdade o núcleo exposto e intacto de outro gigante gasoso que teve sua atmosfera arrancada. Seu estudo pode trazer informações determinantes para compreender o núcleo de um planeta como Júpiter.

© divulgação

A conclusão se dá por sua dimensão: com 40 vezes o tamanho da Terra e temperatura extremamente alta, o exoplaneta TOI-849b supera em muito o que se considera o limite conhecido para um planeta terrestre, sendo assim possivelmente o tal núcleo exposto de um planeta gigante e gasoso. “O TOI 849b é o planeta terrestre – que tem uma densidade semelhante à da Terra – mais massivo já descoberto. Esperávamos que um planeta tão massivo tivesse acumulado grandes quantidades de hidrogênio e hélio quando se formou, se tornando algo como Júpiter”, afirmou David Armstrong, astrônomo da Universidade de Warwick, no Reino Unido.

O planeta Júpiter © Wikimedia Commons

“O fato de não vermos esses gases nos permite saber que esse é um núcleo planetário exposto. É a primeira vez que descobrimos um núcleo exposto intacto de um gigante gasoso em torno de uma estrela”, concluiu.

Representação do telescópio espacial TESS © NASA

Orbitando a estrela TOI-849 similar ao nosso sol, outra hipótese levantada é que o TOI-849b já tenha sido um gigante planeta gasoso, que perdeu seus gases após um grande evento como um choque com outro grande corpo rochoso. Os estudos sobre a descoberta ainda estão no início, mas podem trazer informações transformadoras sobre o que pensamos saber a respeito de Júpiter – e quem sabe concluir que, após milhares de quilômetros das mais venenosas nuvens tóxicas, ao centro do planeta exista um imenso núcleo sólido e terrestre. A observação do explaneta foi feita a partir do observatório La Silla, no Chile, e do telescópio espacial TESS, da Nasa – e publicadas na revista científica Nature.

Parte do observatório La Silla, no Chile © divulgação

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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