Futuro

Latas de lixo serão fiscalizadas para evitar desperdício de alimentos em Vermont

por: Vitor Paiva

Combater o desperdício de alimento é tarefa essencial para qualquer mundo melhor que almejamos no futuro – e o governo do estado de Vermont, nos EUA, parece disposto a não medir esforços e ir a fundo em nome de tal causa: até o lixo dos cidadãos. Uma nova lei que entrou em efeito no início de junho obriga os cidadãos a transformar seus restos de alimentos, incluindo peles, cascas, caroços e mais, em composteiras, a serem realizadas nos jardins ou em equipamentos profissionais. Trata-se da primeira lei no país que torna a luta contra o desperdício um esforço individual, afetando a vida particular de cada cidadão de Vermont.

“Bem vindo a Vermont, o estado das montanhas verdes’ © Flickr

A causa é nobre e a motivação é evidente, e ainda que Vermont é somente um pequeno estado com pouco mais de 600 mil habitantes, mas a decisão pretende não só atuar de forma local aquilo que se ambiciona em dimensão global, como também servir de exemplo para o resto do país e do mundo. A ambição é conseguir reduzir, com a nova lei, o desperdício de alimentos em até 50%. A cada 5 anos o lixo produzido no estado é avaliado, e cerca de 20% dos despejos são alimentos. Além do desperdício propriamente, os alimentos jogados no lixo produzem metano, gás extremamente poluente para o aquecimento global.

Mulher em Vermont preparando sua composteira © iStock

Sem em empresas e estabelecimentos a lei é mandatória, na escala residencial ela não levará oficiais a literalmente investigar o lixo dos cidadãos. Segundo autoridades locais, ao nível residencial a lei propõe uma adesão voluntária – e, em se tratando de Vermont, o que pode parecer uma convocação ingênua pode, em verdade, dar certo: mesmo antes da nova lei, cerca de 72% dos moradores já tinham composteiras em casa. E para facilitar o processo, o estado já autorizou um orçamento de quase 1 milhão de dólares, para equipamentos, serviços de coleta e mais: um investimento que parece alto, mas que custará muito pouco não só por conta do retorno direto, mas principalmente como exemplo para como todo o resto do país – e do mundo – pode, de forma simples, ajudar a combater o desperdício.

© Flickr

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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