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Liberte o Futuro: artistas, intelectuais e ativistas provocam reflexão sobre futuro pós-coronavírus

por: Clara Caldeira

Na série ‘Coronavírus: uma janela para outros mundos’, refletimos sobre a pandemia, suas causas e seus efeitos, investigamos quais os pensamentos dominantes e o projeto de poder que nos trouxe até aqui e buscamos algumas respostas possíveis para a atual crise civilizatória, baseadas em novas formas de pensar o mundo e as relações. Umas das pergunta que nos fizemos no final quarto texto da série, intitulado “Decrescimento e suficiência: novas métricas para novos mundos” foi: de que forma poderíamos levar as experiências proporcionadas por este trauma global no sentido de ações propositivas para transformações estruturais profundas da sociedade? Quais seriam os caminhos e agentes envolvidos nessa transformação?

É justamente propondo e tentando responder a questionamentos como esses que nasceu o movimento #LiberteoFuturo. Com o objetivo de inspirar a reflexão crítica e dinâmica sobre a vida pós-pandemia, artistas, intelectuais, ativistas e cidadãos do mundo todo mobilizaram esforços para criar um movimento global, que será lançado oficialmente a partir deste domingo (5).

O coletivo não é liderado por uma pessoa ou organização, mas parte do conceito “Eu+1+, a equação da rebelião”, de autoria do poeta Élio Alves da Silva, do Médio Xingu, Altamira, Amazônia. A ideia central é invocar a responsabilidade coletiva ao reunir todos aqueles que querem fazer parte da criação e realização de mudanças na sociedade atual. 

Crédito: Fernando Sato

Se existe  um consenso entre os cientistas até agora é que uma pandemia como a que estamos vivendo está sendo prevista já há algum tempo e também que, ao que tudo indica, ela não será a última, nem a mais grave. “Não é uma situação de ‘se’ haverá uma epidemia de um desses coronavírus mas de quando e como nós estaremos preparados para enfrentar”, sentenciou em 2015 o virologista Ralph Baric, da Universidade da Carolina do Norte, especializado nesse tipo de vírus.

“Este não é o último grande surto que vamos presenciar, haverá mais surtos e epidemias. Isso não é uma probabilidade; é um fato. É o resultado de como nós, seres humanos, interagimos com nosso planeta”, alerta Alanna Shaikh. A especialista em sistemas de saúde explica que parte disso se explica pelas mudanças climáticas e pelo fato de que o calor torna o mundo mais favorável a vírus e bactérias. Ainda segundo Shaikh, a frequência desses surtos também diz respeito ao modo como a humanidade tem invadido os últimos lugares selvagens do planeta.

Crédito: Marcelo Salazar

A desigualdade global (e brasileira) atinge hoje níveis recordes. Os 2.153 bilionários do mundo concentram mais riqueza do que cerca de 60% da população mundial. A emergência climática provocada por ação humana exige uma mudança urgente, ou teremos apenas um futuro hostil para as futuras gerações. “A maior crise sanitária em um século impôs o isolamento físico, mas não o isolamento social. As ideias não têm restrições, nem fronteiras”, lembra o movimento #LiberteoFuturo.

Para abrir a discussão, no domingo (5), das 18h às 20h, será realizada uma manifestação online através do www.manifao.org. A plataforma possibilita a simulação de uma manifestação de rua online, com conversas ao vivo, abertas a diferentes falas, compartilhamento de fotos e cartazes, performances e exibição de projeções por vídeo.

Wagner Moura, Alice Braga, Eliane Brum, Zé Celso Martinez, Joênia Wapichana, Zélia Duncan, Fabiana Cozza, Antonio Nobre, Sérgio Vaz, Carmen Silva, Eliane Caffé, Jacira Roque de Oliveira (mãe de Emicida e Fiote), Tasso Azevedo, João Cezar de Castro Rocha, Déborah Danowski, André Trigueiro, Júlio Lancelotti e Tati dos Santos, são alguns dos nomes de intelectuais, artistas, ativistas e estudiosos que se mobilizaram para apoiar o movimento. 

A plataforma será também um grande mostruário da imaginação do futuro neste momento histórico tão particular, que poderá servir tanto como inspiração para ações como para pesquisas em diferentes áreas.

Como participar

O movimento se concentra em cinco propostas principais, que disparam perguntas e convidam a imaginar possíveis respostas: 

  1. Antídotos contra o fim do mundo: imagine como quer viver
  2. Democracia: proponha políticas públicas, assim como mudanças nas leis e nas normas para reduzir as desigualdades de raça, gênero e classe
  3. Consumo: indique alternativas para eliminar as práticas de consumo que escravizam a nossa e as outras espécies
  4. Emergência climática: sugira ações para impedir a destruição da natureza, garantindo a continuidade de todas as formas de vida no planeta
  5. Insurreição: defina a melhor ação de desobediência civil para criar o futuro onde você quer viver! 

As propostas devem ser enviadas em vídeos de um minuto cada. Os vídeos devem ser postados em suas redes sociais com a #LiberteoFuturo ou enviados pelo whatsapp +55 11 97557-9830 após o lançamento, no dia 5 de julho.

Em cada um deles, o participante deve dizer seu nome, e a cidade e país onde vive. Estes vídeos serão reunidos na plataforma digital www.liberteofuturo.net. Não há uma data limite para envio dos vídeos, mas após esta primeira fase, a proposta é colocar a mão na massa e formar uma rede de pessoas comprometidas a debater e executar ações, locais e globais, para libertar o futuro. 

Crédito: Pablo Albarenga

Laboratórios Sociais: Liberte o Futuro

Os “Laboratórios Sociais: Liberte o Futuro” serão jornadas colaborativas de encontros online para facilitar a criação dos futuros propostos nos vídeos. A partir das provocações iniciadas pelos vídeos, os laboratórios oferecerão espaços de troca e co-criação para aprofundar, planejar ações e criar estratégias para o futuro, executadas no presente.

Serão 10 oficinas com conteúdos de temáticas contemporâneas e transversais, pensadas para contemplar todos os grupos formados. As oficinas serão documentadas em vídeo, gerando conteúdos, que podem inspirar e auxiliar outras pessoas a se mover para libertar o futuro e, assim, mudar o presente.  

 

 

 

 

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Clara Caldeira
Quatro anos e meio à frente do conteúdo do Hypeness, após atuar por seis anos como editora no Catraca Livre, Clara Caldeira é jornalista com 15 anos de experiência em cultura, comportamento, cidadania, tendências e pesquisadora em comunicação, gênero, corpo e meio ambiente. Já participou de projetos de reportagens, documentários, branded content e formações diversas com ONGs, assessorias culturais e publicações digitais variadas.


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