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MC Poze do Rodo celebra liberdade: ‘Favela venceu’; caso expõe preconceito ao funk e à cultura de favela

por: Redação Hypeness

Considerado foragido da Justiça no início de julho deste ano, MC Poze do Rodo se tornou mais um alvo da visão estereotípica do funk como gênero musical ligado ao crime. Após vídeos de um show do artista na favela do Jacarezinho, Zona Norte do Rio de Janeiro, viralizarem na internet com homens armados na plateia, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou o MC carioca por supostamente estar associado ao tráfico de drogas da região.

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Em caso similar ao que levou o DJ Rennan da Penha à prisão; ao que fez a polícia militar matar jovens durante ação no Baile da 17, em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo; e, não muito distante, à perseguição de sambistas junto à apreensão de pandeiros e de outros instrumentos musicais ligados à cultura e à resistência negras no início do século 20, a acusação rasa de um órgão do Estado a mais um MC do funk de favela levanta sintomas sérios sobre quais critérios movem o Judiciário brasileiro ao julgar pessoas pretas e periféricas.

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“Contratou, estou indo fazer meu trabalho, sem saber. […] Igual acontece diversas vezes: vou cantar na comunidade, aí chego lá, aconteceu isso, aconteceu aquilo, aí vídeo… Sendo que eu estou indo fazer o meu trabalho. Não tem como eu ir lá, parar meu trabalho, parar o meu show para falar ‘pô, faz isso aí’, ‘faz isso, não’, ‘para com esse bagulho’”, explica Poze em entrevista ao portal “R7” sobre não ter controle das atitudes do público durante suas apresentações.

Em entrevista à “Folha“, Sílvia de Oliveira Martins, advogada do MC, conta que o show no Jacaré foi cumprimento de agenda, um compromisso profissional como qualquer outro. Assim, a defesa de Poze conseguiu a revogação do pedido de prisão do funkeiro, que foi aceita pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) após comprovação de endereço fixo e de fonte renda lícita por parte do artista. Desde então, o cantor carioca responde às acusações em liberdade.

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Por falar sobre o sucesso advindo de trabalho duro em músicas como “To Voando Alto” e narrar as vitórias do time de coração em faixas como “Os Coringas do Flamengo“, Poze conquistou carinho em favelas e regiões periféricas de todo o Rio de Janeiro e em outras áreas espalhadas pelo Brasil. A cantoria massiva das letras do músico fizeram com que o MC conhecesse pessoalmente os jogadores do Flamengo e se apresentasse em evento oficial da equipe esportiva.

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Relembrando os velhos tempos ?

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“Hoje em dia, sou exemplo para muita criança. Muitas que moram em favela viram que quem corre atrás dos seus sonhos, consegue”, diz Poze na mesma entrevista ao “R7“, em que também promete transformar a situação judicial em música.

Objeto de estudo em diversas universidades, a criminalização do funk por um sistema penal com base em estruturas racistas desconsidera o valor cultural do gênero e, além de uma série de outras questões, não enxerga a capacidade de geração de renda honesta das relações trabalhistas proporcionadas por ele.

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Fotos: Reprodução Instagram/Arquivo pessoal/@mcpozedorodo


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