Matéria Especial Hypeness

Métodos contraceptivos e liberdade sexual: qual a relação dessas escolhas na vida das mulheres

por: Redação Hypeness

Relacionamento monogâmico, aberto, poliamoroso ou a boa e velha solteirice. Não importa como escolhemos nos relacionar com outras pessoas, a escolha de um método contraceptivo sempre bate à nossa porta. Do alto de 2020 podemos ver que muitas mudanças aconteceram nesse processo, entre crenças e revoluções sociais, até chegarmos na vasta quantidade de opções que temos para escolher a hora de engravidar e se queremos engravidar. Mas tudo trilha um mesmo caminho: a liberdade e a sexualidade feminina.

As mulheres vêm se empoderando mais a cada dia por meio de muita conversa, luta e consciência coletiva. A decisão sobre ter ou não filhos também está em processo de evolução. Isso se dá, entre outros pontos, pela desromantização da maternidade, pela quebra de conceitos machistas ultrapassados, pela liberdade conquistada para escolher o que é melhor para si e pelo entendimento que ser mulher é muito mais do que ser mãe – e, claro, que ser mãe ainda é ser mulher com todas as suas subjetividades, vontades e nuances.

Como escreve a jornalista espanhola Esther Vivas em seu livro “Mamá Desobediente – Una Mirada Feminista a la Maternidad” (Mãe Desobediente – Um olhar feminista para a maternidade), “depois que as mulheres colocaram fim na maternidade como destino, é hora de decidir como queremos vivê-la”.

Em “O Feminismo é para todo mundo”, Bell Hooks também mostra a importância da autonomia sobre o corpo como ponto de partida para a liberdade. “A liberdade sexual feminina requer um controle de natalidade confiável e seguro. Sem ele, as mulheres não podem exercer o controle total do resultado da atividade sexual”, escreve.

Assim, mulheres têm diferentes objetivos de vida – que, sim, são mutáveis, mas cada uma tem seu tempo – ter filhos não é mais uma obrigatoriedade ou condição de existência. Não ter vontade de engravidar não torna alguém menos mulher e, cada vez mais, essa escolha está sendo feita conscientemente, seja decidindo não ser mãe ou simplesmente esperando o melhor momento.

Métodos contraceptivos

Podemos voltar muitos anos, séculos até, para falar sobre essa evolução, já que desde a Roma Antiga os casais já buscavam formas de contracepção. Mas chegando mais próximos do mundo como entendemos hoje – e dos métodos que ainda usamos – tudo começou lá em 1930 com a criação dos preservativos descartáveis de látex. As camisinhas, tal como as conhecemos, levaram muitos anos até chegarem no formato atual.

Em 1300 a.C., os egípcios já envolviam o pênis em um preservativo feito de linho, pele e materiais vegetais. No século II a.C., os romanos faziam o mesmo usando intestinos de cordeiro e bexigas de cabra – o cheiro já é outro capítulo nessa história.

As camisinhas tiveram uma queda no uso ao longo dos anos, mas voltaram com tudo nos anos 1970 por ser muito eficaz para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST), em especial o HIV. Segue até hoje como um item essencial, não importa o método contraceptivo ou modelo de relacionamento.

Já nos anos 1960, surge a pílula anticoncepcional e ela se torna um marco na história da liberdade e da sexualidade das mulheres e, portanto, no feminismo. Afinal, o remédio seria capaz de reduzir os casos de gravidez não-planejadas e dar à mulher a possibilidade de escolher quando engravidar. A pílula é considerada revolucionária já que com ela a mulher passou a ter um controle sobre a decisão de engravidar e, inclusive, dedicar-se a carreiras fora de casa.

Isso mudou completamente a relação entre casais heterossexuais na época, quebrando uma das principais questões que sustentavam o poder masculino. Ainda hoje, cada pílula tem doses hormonais diferentes e, como qualquer remédio, possíveis efeitos colaterais. Para adotá-la é muito importante o acompanhamento e orientação médica para escolher o melhor tipo e dosagem para cada mulher.

Em 1969 surge uma novidade. O DIU em T de cobre inaugurou a nova geração de dispositivos intrauterinos, criados a partir de estudos para que se atingisse a quantidade ideal de cobre que tivesse uma atuação espermicida eficaz. Mas a evolução dos métodos de longa duração aconteceu mesmo a partir dos anos 2000, com a chegada do DIU hormonal, que se consolidou após 2010 e vem se tornando cada vez mais popular.

O mais recente dos métodos é o DIU com doses hormonais mais baixas, com duração de 5 anos. Ele chegou ao mercado agora em 2020 e a grande diferença é que a ação hormonal é local e de baixíssima dose, não interferindo no ciclo menstrual natural da mulher. Outro fator que muitas pessoas desconhecem é que o DIU é coberto por planos de saúde. Além disso, o que já foi uma inserção dolorida, parece ter mudado um tanto. Hoje, estudos mostram que 70% das mulheres sentem nenhuma ou pouca dor ao colocar o DIU hormonal em consultório médico sem anestesia.

Os métodos modernos não costumam causar ganho de peso, mas outros efeitos colaterais podem surgir, como qualquer medicamento. Mais uma vez, cada corpo é único e as contraindicações podem ser apontadas em uma consulta médica.

O que deve ser avaliado, entre todas as opções que existem no mercado, é qual se adapta melhor ao estilo de vida de cada mulher, já que hoje ela pode escolher entre as pílulas, por exemplo, que são de uso diário, até o DIUs e implantes, que duram de 3 a 10 anos. A camisinha deve estar sempre entre elas por ser a única que previne das ISTs.

Liberdade de Escolha

A liberdade e o conhecimento para escolher o melhor método já temos. Agora o que falta? Consultar um ou uma ginecologista para juntas entenderem qual deles combina mais com as suas necessidades e com seu corpo. Estar consciente das escolhas e bem orientada por uma profissional é o primeiro passo para a liberdade. Vale lembrar que não existe uma única solução que seja ideal para todas.

O movimento Liberdade Vem de Dentro convida as mulheres a assumirem e celebrarem a sua liberdade sexual. É uma campanha sobre toda essa revolução necessária que está acontecendo no universo feminino, e que tem as mulheres como protagonistas.

Falar em liberdade nunca foi tão importante para as mulheres e decidir o caminho de suas vidas é exatamente sobre isso. O que é melhor para cada uma é muito pessoal. Por isso te convidamos a refletir sobre seus caminhos e sua história. Só você sabe o que é melhor para o seu corpo e para o seu futuro.

Publicidade


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Morador aciona Justiça para apagar obra de artista renomada e mostra que cultura pede socorro