Debate

Mulher que atacou fiscal de bares durante pandemia não tem registro de engenheira química

por: Yuri Ferreira

Conforme apuração do jornal carioca EXTRA, a mulher que ficou conhecida por atacar um fiscal durante a reabertura de bares no Rio de Janeiro era formada em engenharia, trabalhava em uma empresa de engenharia (A Taesa), era dona de uma empresa de engenharia, mas não tinha o registro do Conselho Regional de Química (CRQ), que dá autorização para exercer a profissão de engenheira química.

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Ela ficou conhecida após defender seu marido com a frase ‘Cidadão não. Engenheiro civil. Formado. Melhor que você. Demitida da empresa em que trabalhava após humilhar um funcionário que somente estava cumprindo o seu trabalho e protegendo a população carioca para evitar a infecção pelo novo coronavírus, a mulher passou vergonha em rede nacional. E é claro que a imprensa não ia deixar barato.

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Agora, o CRQ abriu uma investigação contra a profissional. O exercimento da profissão sem o registro pode acarretar em uma multa de mais de R$ 5 mil. A prefeitura carioca optou por não multar o casal, mas essa não parece ser a postura do Conselho Regional de Química:

“A profissional não possui registro junto ao CRQ-III. Estamos averiguando isso junto a Taesa (ex-empresa da mulher). Enviamos um ofício nesta quarta-feira para empresa perguntando como era a forma de contrato dela com eles. Se ela estiver falando a verdade, que é formada, mas atuava como engenheira química sem registro, ela agiu contra o código de ética profissional. Um engenheiro químico, para exercer plena e regularmente sua profissão deve obrigatoriamente estar registrado em Conselho de Fiscalização da Profissão (CRQ-III), segundo o Art. 25 da lei 2800/1956”, afirmou Rafael Almada, presidente do órgão, ao Extra.

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Relembre o vídeo:

“Ainda não procuramos a profissional diretamente porque estamos apurando os fatos. Se confirmar que ela atuava sem registro, vamos encaminhar o caso ao Ministério Público Federal e acionar a polícia. Ela ainda vai receber uma multa de até R$ 5.103,88, além de suspensão do direito de exercer a profissão em até dois anos por falta ética”, completou Almada.

A Taesa informou que a mulher cumpria função administrativa e não exercia o trabalho como engenheira química. Outra investigação ainda vai recair sobre a empresa AC Engenharia e Consultoria Eireli, que também não consta no registro do CRQ, mas pode ter em outros conselhos, como o CREA (Conselho Regional de Engenheiros e Agronomia).

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Fotos: Reprodução/TV Globo


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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