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Naja como a que picou homem no DF é vendida por R$ 7 mil; polícia apreende Píton-Indiana debilitada

por: Redação Hypeness

Na última terça-feira (7), Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, 22 anos, foi picado por uma cobra naja e entrou em coma. Mas, além da equipe médica que agiu para salvar a vida do rapaz, o episódio mobilizou também a Polícia Civil do Distrito Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que passaram a investigar como a serpente, de origem asiática, havia chegado à casa do estudante de medicina veterinária, em Brasília. 

Após o acidente com a naja, Pedro Henrique teve que ser medicado com soro antiveneno, que só foi encontrado no Instituto Butantan, em São Paulo, onde um pequeno estoque do produto estava sendo mantido. O órgão informou que “não produz e nem disponibiliza soro antiofídico para acidentes com naja, uma vez que é uma espécie exótica, não pertencente à fauna brasileira”. Neste domingo (12), ele recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular. 

– Cobra naja pica estudante que fica em coma no DF; animal é comum em regiões da África

Naja resgatada de cativeiro em Brasília ganhou ensaio fotográfico

Mas o assunto não está encerrado. A partir desse caso, dezenas de animais mantidos em criadouros clandestinos, incluindo cobras de várias espécies, lagartos, enguias e até tubarões foram descobertos. A polícia fala em uma possível rede de tráfico de animais. 

Outras duas cobras foram resgatadas pelo Ibama em ação conjunta com a Polícia Civil na última sexta-feira (10). Elas estão debilitadas e com lesões visíveis. As serpentes são albinas, da espécie Píton-Indiana. Elas chegaram nesta segunda-feira (13) ao Zoológico de Brasília, junto com outras quatro serpentes recuperadas em operação policial. 

– A história do fotógrafo que foi mordido por uma cobra venenosa, mas sobreviveu para terminar seu trabalho

Uma equipe de veterinários do local realizou um checkup nas seis cobras na manhã desta segunda (13) e as duas pítons, que estão mais debilitadas foram encaminhadas para tratamento no Hospital Veterinário do Zoológico. Nenhuma das seis cobras é peçonhenta.

Em entrevista para o Correio Brasiliense, o biólogo Flávio Terassini explica que apenas a Jiboia-arco-íris é nativa do Brasil. As demais são exóticas, de outras regiões do mundo.

O Zoológico de Brasília já recebeu 13 espécies distintas de serpentes advindas de apreensões ou entregas voluntárias, desde o recente episódio onde uma naja picou seu dono, um jovem estudante de medicina veterinária.

– O que aconteceu com o homem que injetava veneno de cobra em si mesmo diariamente

A investigação policial tem contato com a participação de ONGs de proteção aos animais em mais de 250 grupos de WhatsApp brasileiros dedicados à comercialização de animais silvestres e exóticos. Mais de 3,5 milhões de mensagens já foram analisadas. Chama a atenção a crescente presença de jovens nas negociações clandestinas.

“Tráfico de serpentes é uma questão que está intimamente ligada à vaidade e os jovens têm se tornado cada vez mais ‘hobbystas’ de serpentes. O animal se transforma em troféu. Nesse caso, o troféu são as serpentes mais perigosas, mais peçonhentas e mais difíceis de achar”, declarou Dener Giovanini, coordenador geral da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), ao Correio Brasiliense. 

– É isso que acontece quando o veneno de cobra entra em contato com seu sangue 

Importante lembrar também que no Brasil é possível fazer a criação de animais exóticos de forma legal, mas a um preço alto. No monitoramento — ocorrido entre abril e agosto de 2019 e que rendeu uma denúncia encaminhada à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal —, a ONG de Giovanini descobriu que uma naja africana ou asiática custa até R$ 7 mil no mercado ilegal.

Se a cobra for nascida em território brasileiro, em criadouro clandestino, é negociada a preços mais baixos, com um filhote valendo em torno de R$ 1 mil. Em um dos anúncios captados pela Renctas, uma naja de monóculo, a mesma espécie que picou Pedro Henrique, é oferecida com um alerta: “Não é barato. Não é para quem começou o hobby agora. Tenho casal disponível”.

E o que aconteceu com a naja que picou Pedro Henrique? Ficou famosa. O zoológico de Brasília divulgou um ensaio fotográfico que tinha o animal como estrela e depois disso a internet não parou de fazer memes.

Confira as fotos:

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Fotos: Divulgação/Zoológico de Brasília


Redação Hypeness
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