Criatividade

O sucesso do novo brinquedo sexual que reflete o autoconhecimento feminino

por: Karol Gomes

Desde os anos 90, o brinquedo sexual mais popular entre as mulheres foi o vibrador de coelhinho. Ele até ganhou menções em um episódio da série Sex and The City, em que o objeto seduz até mesmo Charlotte, a mais puritana do grupo de amigas protagonistas de série. O grande diferencial, na época, era o fato de que o aparelho era não ser somente introduzido na vagina como qualquer dildo, ele também possuía um apêndice, em forma de orelhas de coelho, criado para estimular o clitóris

Trinta anos depois, o brinquedo revolucionário tem um substituto: agora o sugador de clitóris é o preferido das mulheres. Entre os dois, há duas grandes diferenças: a primeira, é que o novo produto não ficou famoso em uma série de televisão, e sim nas redes sociais. A segunda é que hoje as mulheres têm mais consciência da importância do clitóris no prazer feminino. 

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E este é o fator mais revolucionário no brinquedo do século 21: ele serve somente à estimulação externa, provando que isso basta para as mulheres. 

Em entrevista ao El País, a sexóloga Ana Lombardía explicou o apelo do produto: “Os sugadores de clitóris estão significando uma revolução sexual para muitas mulheres, pois podem ser tremendamente eficazes em dar prazer. Está cada vez mais estendida a ideia de que o clitóris é uma forma fantástica para sentir prazer, sem a necessidade de utilizar a penetração”.

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O jornal também esclareceu que descrever o objeto como um “sugador sexual” é uma maneira de simplificar sua função, pois não é exatamente isso que ele faz. Através de uma suave boquilha ergonômica, o brinquedo permite acariciar a cabeça visível do clitóris em diferentes intensidades, que a mulher pode escolher pelo manuseamento do produto.

“Ele é chamado de sugador porque o clitóris é ligeiramente introduzido em uma abertura do brinquedo, ainda que a estimulação não seja por sucção propriamente dita. Não oferece uma vibração como a dos brinquedos habituais, e sim uma pequena batida”, esclareceu Lombardía. 

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O brinquedo já é comercializado por diferentes marcas e ganhou versões e modelos que oferecem diferentes tipos de estimulação. Existem as versões “sônico” e “massageador”, por exemplo. Além da autonomia, o produto também estimula o orgasmo com muito mais rapidez justamente pelo foco na estimulação do clitóris. 

Outro fator que contribuiu para o sucesso do produto foi a venda possibilitada via redes sociais. Essas plataformas ajudaram muitas mulheres a fazer as perguntas que não se atrevem a fazer nas lojas. 

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“Recebemos muitas perguntas sobre a estimulação produzida pelo sugador: antes de testá-lo costuma existir uma ideia muito distorcida do conceito sucção (não tem nada a ver com um aspirador, como diz Moderna de Pueblo em sua publicação no Instagram). Outras mulheres perguntam se é normal ter mais de um orgasmo em cada sessão, se é muito barulhento e sobre como integrá-lo no âmbito do casal”, contaram os responsáveis pela loja erótica Platanomelón, que contribuíram à divulgação do brinquedo.

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Foto: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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