Debate

Serpente não será abatida e investigação de possível tráfico feito por jovem picado por naja apreende mais cobras

por: Yuri Ferreira

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou na última quarta-feira que não irá sacrificar a cobra da espécie víbora-verde-de-voguel, um dos animais encontrados após a deflagração da Operação ‘Snake’ da Polícia Civil do Distrito Federal. A cobra foi entregue voluntariamente pelo seu dono, que não foi investigado pela PC.

A serpente rara e originária do sudeste asiático foi entregue à polícia após o caso da picada de naja no estudante de medicina veterinário Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul. Mais de 20 cobras já foram apreendidas e resgatadas depois do evento, que pode ter revelado um esquema de tráfico de animais silvestres na capital federal.

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Nessa quarta-feira a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Pedro e também fez buscas nas residências de outros três amigos do jovem que podem estar ligados à rede de tráfico. Os policiais apreenderam documentos, smartphones, medicamentos de uso veterinário, uma serpente Corn Snake (Cobra do milho) e apetrechos utilizados para fazer a criação ilegal de animais silvestres. São mais de 18 espécies de animais encontradas pela Polícia desde a picada em Pedro.

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Uma das serpentes entregues fora da apreensão, a víbora-verde-de-voguel estava sob o risco de ser abatida por não existir soro antiofídico contra o veneno dessa cobra. Entretanto, o IBAMA confirmou que não irá sacrificar o animal, mas ainda não decidiu qual será o futuro da serpente. O homem que fez a entrega da víbora ainda entregou uma Jararacuçu, a segunda maior serpente do Brasil, que pode chegar 2 metros e 20 centímetros.

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Segundo a Polícia do DF, Pedro participava de uma rede de tráfico de animais. “Com o apoio do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais], conseguimos confirmar que ele criava animais proibidos na casa dele. Após ouvirmos algumas pessoas, chegamos a um grupo de estudantes de veterinária de classe média para alta que tem interesse em estudar animais exóticos e, por isso, obtinha esses animais. Esse grupo tinha até um presidente”, afirmou o major Elis Cunha, do Batalhão Polícia Militar Ambiental do Distrito Federal, ao UOL.

 

 

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Fotos: Divulgação/Zoológico de Brasília


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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