Arte

5 pinturas alegóricas famosas e seus significados ocultos desvendados

por: Vitor Paiva

De modo geral, uma alegoria significa o uso de determinada linguagem para transmitir mais e mais amplos sentidos do que aquilo que literalmente é expressado – em um texto, por exemplo, mas não somente: na escultura e no cinema, por exemplo, as alegorias são utilizadas com frequência. E na pintura não é diferente: desde o Renascimento e até o século XIX que as alegorias eram uma das mais recorrentes linguagens utilizadas por pintores em suas obras – especialmente retratando passagens religiosas e mitológicas para expressarem aspectos e sentimentos profundos da experiência humana, como o amor, a inveja, o medo e a morte.

“Uma Alegoria”, obra de Sandro Botticelli

Nem sempre, porém, esses significados “escondidos” nas alegorias são devidamente decifrados: especialmente hoje em dia, muitas pinturas do estilo, se vistas com pressa e sem apuro, podem parecer somente um registro romântico e antigo de algo mero. Mas não: as obras de nomes como Sandro Botticelli, Jean-Léon Gérôme, Angelo Bronzino e outros apresentam mais signos e sentidos do que nosso displicente olhar contemporâneo é capaz de notar em uma primeira vista. Mas quais são alguns desses segredos guardados nas pinturas alegóricas, desde o renascimento e até hoje?

Primavera, de Sandro Botticelli

Representando uma cena primaveril, o quadro de 1482 se passa em uma floresta mítica, com mais de 500 espécies de planta e aproximadamente 200 tipos de flor pintadas. As flores laranjas nas árvores representam o casamento; a Venus, ela própria um símbolo do amor, é posta no meio da composição, com seu filho Cupido apontando seu arco e flecha na direção das Três Graças – representando prazer, castidade e beleza. À esquerda, o deus romano Mercúrio espanta nuvens, enquanto à direita o deus grego Zéfiro segura Clóris, deusa grega da primavera.

Leda e o Cisne, de Jean-Léon Gérôme

No quadro de 1895 é retratada a lenda de Leda, arrebatada por um cisne que, na verdade, é o deus grego Zeus disfarçado. De modo geral a lenda é vista como um mito violento, mas no quadro de Gérôme o causo é retratado como um encontro cálido e íntimo entre amantes. O cisne é guiado na direção de Leda, nua à beira do lago, por um grupo de cupidos – representando, de modo geral, sensualidade, amor e desejo.

O Alquimista, de Pieter Brueghel The Younger

Os perigos da da cobiça e da loucura são os verdadeiros motivos do quadro O Alquimista, pintado por Pieter Brueghel The Younger em 1558. Nele se vê um alquimista trabalhando, tentando criar ouro, com sua esposa próxima a ele, procurando por mais moedas em sua bolsa. Ao lado, um bobo da corte alimenta o fogo – em uma metáfora clara sobre a loucura do ouro incendiando o ambiente. Na parte superior direita, a família do alquimista é vista implorando nas ruas por moedas, como uma representação da consequência da cobiça, e dos perigos da tentação do roubo e da ganância.

Vênus, Cupido e a inveja, de Angelo Bronzino

Apresentando Vênus, a deusa do amor, ao lado do cupido, como sugere o título, o quadro de 1550 retrata uma contraface do amor: a inveja. Vênus de certa “desarma” o cupido, segurando uma de suas flechas, já que a inveja pode ser vista na forma de uma criatura demoníaca atrás do cupido, com uma cobra saindo de sua boca. Aos pés da deusa se vêem as máscaras do teatro, da comédia e da tragédia, e no alto à direita, as rosas representam a beleza, o amor e a paixão.

A Educação de Aquiles, de Auguste-Clément Chrétien

Pintado em 1861, o quadro A Educação de Aquiles é considerado uma obra-prima do Neoclássico Francês, e representa a lenda da mitologia grega de Aquiles, com o ainda jovem guerreiro aprendendo diretamente com Quíron, o centauro responsável por ensinar aos deuses. No quadro, representando a importância do processo de ensino e aprendizado, o centauro corrige a postura de seu aluno utilizando o arco e a flecha.

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© Artes: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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