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A história de alguns projetos concorrentes da Torre Eiffel

por: Vitor Paiva

As Feiras Mundiais, desde a primeira edição, na Inglaterra em 1851, e até hoje são palco de exposição de algumas das mais incríveis invenções, conquistas e desenvolvimentos das nações em diversas frentes – tecnológicas, industriais, arquitetônicas e mais. E para receber uma das tantas edições desse tipo de evento internacional, era comum que as cidades realizassem grandes construções para servirem de cenário, inspiração e símbolo do evento – como foi o caso da Torre Eiffel, levantada para a Exposition Universelle, em Paris, em 1889.  Mas antes que o projeto do engenheiro Gustave Eiffel fosse aprovado como peça central para a Feira então por vir – a partir de um desenho original dos engenheiros Maurice Koechlin e Émile Nouguier, que trabalhavam para Eiffel – outros projetos foram apresentados para representarem a feira naquele ano. Uns interessantes, outros absurdos, o fato é que o mais conhecido monumento de Paris poderia simplesmente não existir, ou ter outro formato completamente diferente.

A Torre Eiffel, em 1900 © Getty Images

O projeto aprovado era um entre centenas enviados para a Feira Mundial de Paris em uma imensa competição para a construção de uma torre de 300 metros de altura – há quem diga, porém, que o próprio Eiffel sugeriu o modelo e a competição ao comitê da Feira.

O engenheiro Gustave Eiffel © Getty Images

Alguns projetos eram elegantes, como o proposto por Jules Bourdais semelhante à Torre de Pisa, feito em pedra mas com um farol de luz tão forte que seria capaz de iluminar a cidade. Bourdais foi o mais intenso opositor ao projeto de Eiffel, feito em ferro e com design moderno, defendendo o uso de materiais e estilos clássicos. Um projeto especialmente bizarro apresentado foi o de uma torre no formato de um imenso regador de água, perfeito, segundo seu autor, para os dias mais quentes.

O projeto apresentado por Jules Bourdais para a torre da Feira de 1889 © Wikimedia Commons

Nenhum projeto apresentado, porém, era mais grotesco que um que visava celebrar a sanguinária história da França com nada menos que uma guilhotina de 300 metros de altura, com direito a uma gigantesca lâmina, a fim de honrar as vítimas do Período do Terror, durante a Revolução Francesa, quando mais de 17 mil pessoas foram guilhotinadas no país.

Acima, o grotesco projeto da guilhotina; abaixo, recriação artística do projeto © divulgação

Em maio de 1886, porém, o projeto de Eiffel foi escolhido e, apesar de inicialmente ter sido alvo de intensas críticas populares, o monumento se tornou o coração arquitetônico e turístico da cidade.

O primeiro projeto, desenhado por Maurice Koechlin e Émile Nouguier © Wikimedia Commons

A construção da Torre, ainda em 1888 © Getty Images

Ilustração para a Feira Mundial de 1889 © Divulgação

Com o sucesso da Torre, o acordo original, que previa sua derrubada em 20 anos, simplesmente não foi respeitado quando o prazo se deu. Pois poucos sabem que o contrato previa que a Torre Eiffel fosse derrubada em 1909, mas o clamor popular e o imenso sucesso do monumento impediram tal decisão. Com 324 metros de altura e 125 metros de cada lado em sua base, a torre, na época de sua construção, se tornou a maior estrutura já feita pela humanidade – título que sustentou durante 41 anos. Hoje a torre não só é um símbolo de Paris, como se tornou o monumento pago mais visitado do planeta, com cerca de 7 milhões de pessoas anualmente subindo em seus elevadores.

© Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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