Debate

A história por trás da foto do enxadrista que venceu quase 50 oponentes ao mesmo tempo

por: Vitor Paiva

Simples em sua essência e ao mesmo tempo infinito em possibilidades, o xadrez é considerado uma dos mais bem acabadas e complexas criações da mente humana – um jogo que é ao mesmo (e não por acaso) símbolo de inteligência e grande capacidade mental entre seus grandes participantes. E se as disputas entre o russo Gary Kasparov, um dos maiores enxadristas em todos os tempos, e o supercomputador Deep Blue entraram para história do esporte e da ciência em meados dos anos 1990, cerca de três décadas antes o jovem Bobby Fischer também entrou para os anais do xadrez, com uma coleção de feitos e recordes no esporte – e uma foto que registra de modo singular sua capacidade e talento quando tinha somente 21 anos: disputar 50 partidas ao mesmo tempo – e vencer (quase) todas.

Vale frisar que o estadunidense Bobby Fischer é considerado por muitos o maior jogador de xadrez da história – Fischer tinha somente 15 anos quando recebeu o título vitalício de Grão Mestre Internacional pela Federação Internacional de Xadrez, dado somente aos maiores do esporte. O desafio contra 50 adversários mostrado na foto aconteceu no hotel Knickerbocker, em Hollywood, na Califórnia, em 12 de abril de 1964, como mais uma demonstração da incrível capacidade de concentração e principalmente memória do jovem enxadrista. Naquele ano, o jogador passou os meses de fevereiro a maio viajando pelos EUA e pelo Canadá realizando partidas simultâneas e palestras sobre xadrez.

Fischer jogando com 13 anos

O resultado do dia da foto é só uma pequena amostra da capacidade que o jogador demonstrou ao longo de sua carreira: das 50 partidas disputadas ao mesmo tempo, ele venceu 47, empatou 2 e perdeu somente um jogo – para Donn Rogosin, um jogador então iniciante. Fischer viria a se tornar campeão mundial em 1972, mas desapareceria da vida pública em controvérsia, com diversas acusações de antissemitismo ao longo de sua vida, na qual também se especulou muito sobre sua sanidade mental. Se, portanto, na vida pessoal o enxadrista apresentava instabilidade e posições indefensáveis, nas quatro linhas do tabuleiro ele foi inquestionável – e a histórica foto de 1964 é uma ilustração de suas capacidades e feitos como jogador, e a prova de que nem sempre um gênio possui uma personalidade admirável.

Publicidade

© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Sobrinho de Pablo Escobar encontra R$ 100 milhões em antigo apartamento do tio