Futuro

Aquecimento global causará mais mortes que doenças infeciosas até final do século, aponta estudo

por: Vitor Paiva

Um dos aspectos mais dramáticos do contexto pandêmico atual não está na doença em si, mas sim, justamente em tudo que não é o coronavírus: no fato de que outros males e ameaças à nossa saúde seguem rondando e acontecendo, para além da pandemia em si. Algumas dessas ameaças, como se não bastasse, são ainda mais perigosas para nossa saúde e nosso futuro que a própria Covid-19: como o aquecimento global. Segundo um estudo publicado pelo National Bureau of Economic Research, empresa de pesquisas sem fins lucrativos dos EUA, os efeitos do aquecimento global serão mais letais até o fim do século do que a soma de todas as doenças infecciosas que nos acometem.

© Pixabay

O estudo sugere que as emissões de gases do efeito estufa irão ampliar o número de mortes globalmente a 73 pessoas por cada 100 mil. Os números competem com dados de doenças como HIV/AIDS, malária, tuberculose, febre amarela, dengue e muitas mais – e partem da relação entre o aumento da temperatura e a incidência de mortes mais variada, incluindo fenômenos como o aumento de ataques cardíacos durante períodos de onda de calor.

A população mais velha é uma das mais afetadas pelas mudanças climáticas © Pixabay

“Muitas pessoas mais velhas morrem por conta de efeitos indiretos do calor. É similar à Covid – pessoas vulneráveis são as que trazem condições pré-existentes. Se você tem um problema no coração e enfrenta o calor por dias, você estará sendo empurrado ao colapso”, comentou Amir Jina, economista ambiental ligado à Universidade de Chicago e um dos autores do estudo.

Os incêndios recorrentes são também efeitos do aquecimento © Flickr

Assim, um dos pontos mais graves do diagnóstico soma os efeitos do aquecimento global às colateralidades do capitalismo: as comunidades mais pobres serão as mais afetadas – em um paradoxo sinistro, já que os países mais ricos e menos afetados são justamente os que mais contribuem na emissão de gases poluentes. Mas serem menos afetados não quer dizer de forma alguma estarem imunes, já que nos últimos anos ondas de calor e outras alterações ocorridas por conta do aquecimento global vêm afetando os EUA e diversos países europeus, e a estimativa é que 2020 seja o ano em média mais quente da história registrada.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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