Ciência

Ataque cardíaco há 3 mil anos pode ter matado ‘múmia que grita’

por: Vitor Paiva

A realização de exames de tomografia em múmias do antigo Egito vem revelando detalhes minuciosos e até então inalcançáveis a respeito de cada um de tais corpos conservados por milhares de anos feito uma verdadeira viagem médica no tempo. Recentemente um exame desse tipo permitiu a cientistas recriarem o trato vocal e, com isso, reproduzir parcialmente a voz da múmia em questão, de um sacerdote egípcio morto há 3 mil anos. Um novo experimento similar foi além, e encontrou o diagnóstico para a morte da famosa “múmia que grita”, de uma mulher encontrada mumificada, como sugere o nome, com a boca aberta: segundo o exame, a causa de sua morte teria sido um ataque cardíaco.

O exame, realizado por Zahi Hawass, egiptólogo e ex-ministro de Antiguidades do Egito, e por Sahar Saleem, professor de radiologia da Universidade do Cairo e especialista em múmias, encontrou sinais de aterosclerose ou enrijecimento das artérias, assim como indícios de gordura nos vasos sanguíneos que levaram os cientistas a chegarem ao diagnóstico de ataque cardíaco. A boca aberta indica, segundo os estudos, que a múmia tenha morrido sozinha e somente enterrada bastante tempo depois, quando o corpo já estava enrijecido, mas outras pesquisas sugerem que tal enrijecimento não duraria tanto, e que o motivo da boca aberta seria simplesmente um afrouxamento nos invólucros ao redor da mandíbula, que não mantiveram a boca fechada.

Encontrada em 1881 no complexo de tumbas de Deir el-Bahari, localizado na cidade de Luxor, nos arredores do Rio Nilo, no Egito, a identidade, a morte e o motivo da singular expressão que se congelou no tempo no rosto da múmia permaneceram como mistérios ao longo de mais de um século desde sua descoberta. O nome “Meritamun” estava escrito na “embalagem” da  “múmia que grita”, e essa era uma expressão utilizada para se referir a diversas princesas do antigo império. Muito se especulou, antes do exame, sobre quem seria e qual teria sido o destino da múmia: ao seu lado também foi encontrado o corpo do príncipe Pentawere, filho do faraó Ramses III, que foi forçado a se suicidar por enforcamento como punição por ter participado do complô que assassinou seu pai.

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© fotos: Ministério de Antiguidades do Egito


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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