Ciência

Atila Iamarino explica como vacina da Rússia contra covid-19 ‘não segue boas práticas’

por: Yuri Ferreira

Nessa semana, o governo russo registrou a Sputnik V, primeira vacina contra covid-19 do mundo. O surgimento rápido e misterioso da vacina tem deixado uma pulga atrás da orelha da comunidade internacional. Muitos especialistas enxergam que a vacina é só uma tentativa de publicidade do governo de Vladimir Putin. O biólogo Atila Iamarino resolveu explicar alguns dos problemas apresentados pela nova vacina russa.

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Frascos da vacina russa, a Sputnik V, que tem dividido políticos e a comunidade internacional

“Sobre a “1ª vacina contra COVID”, a vacina russa Sputnik V: adorei o nome, mas não tem resultado, o tempo não bate e ela não segue boas práticas. Não é registrada, não publicaram artigos ou testes, nem mostraram que é segura. Teoricamente ela terminou os testes de fase 1 em junho/julho. Precisaram fazer fases 2 e 3 de segurança e imunização depois. Pelo tempo que nossa resposta imune leva pra aparecer, não dá pra fazerem todos os outros testes até agora. Também não publicaram resultados de testes”, afirmou Atila no Twitter.

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A falta de resultados publicados no campo acadêmico leva a dúvidas quanto a eficácia e segurança da imunização desenvolvida pela Rússia. Entretanto, alguns analistas políticos não acreditam que Putin daria uma “furada” desse tamanho, algo que poderia acabar desestabilizando seu governo e a posição da Rússia na comunidade internacional.

Alexander Gintsburg, diretor do Instituto de Epidemiologia e Microbiologia Gamalei, e Mikhail Murashko, Ministro da Saúde da Rússia, anunciam a nova vacina contra a covid-19

A corrida intensa pelo desenvolvimento da primeira vacina eficaz é uma das rápidas da história. A chamada ‘Vacina de Oxford‘ e os laboratórios chineses que procuram a imunização para o novo coronavírus estão trabalhando em velocidade recorde, reduzindo o tempo médio esperado para uma vacina de 6 anos para um só.

O desenvolvimento de uma vacina russa foi anunciado entre junho e julho. Em pouco mais de dois meses, as autoridades estatais de Putin teriam sido capazes de comprovar segurança e eficácia da vacina? Boa pergunta. Para Atila, esse não é o caso:

Não é só o biólogo brasileiro que desconfia da vacina russa. A própria OMS afirmou que não vai recomendar o uso da Sputnik V até que resultados comprovando a imunização sejam publicados. E vale ressaltar; esse não é um discurso anti-vacina. Queremos uma vacina segura e com comprovação científica (e não mais uma cloroquina injetável.)

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No Brasil, os governadores Ratinho Junior (PSD-Paraná) e Rui Costa (PT-Bahia) já sinalizaram que  entraram em contato com os russos para trazer a tecnologia ao Brasil e fazer testes em massa na população. Ainda assim, a gestão Putin insinuou que somente em 2021 será iniciada a distribuição em massa da vacina.

“O esforço de buscar aumentar a capacidade de produção para uma futura vacina é importante, mas qualquer vacina ou produtor tem que seguir essa metodologia, e além da segurança informar o grau de eficácia. Não existe vacina 100% eficaz para nada”, afirmou Jarbas Barbosa da Silva Jr., diretor-assistente da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), à Folha.

 

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Fotos: Destaques: Reprodução/Youtube e © Getty Images Fotos 1 e 2: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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