Arte

Atriz que viverá escrava sexual em novela fala sobre cura de estupro de diretor e agressão do namorado

por: Karol Gomes

A arte imita a vida: a atriz Juliana Lohmann, que recentemente tornou público ter sido vítima de um estupro, viverá situações de abuso como Cindy, na novela ‘Amor sem igual’, que irá ao ar pela Record TV. 

A personagem interpretada pela ex-Globo será mantida como escrava sexual na Europa. Depois de encontrada pela polícia, retornará ao Brasil. Ao detalhar o ocorrido para alguns conhecidos, ela acabará desabafando sobre outros traumas e revelará ter sido assediada por um namorado da mãe quando era mais nova. A virada na trama foi surpresa para a atriz.

– Jovem estuprada no Cafe de la Musique expõe manipulação de fotos feita por defesa de acusado

A atriz da Record, Juliana Lohmann

Agressão do namorado e violência sexual do diretor 

Em julho deste ano, Juliana, de 30 anos, revelou quefoi violentada sexualmente por um diretor de TV quando tinha 18 anos. Seu depoimento corajoso foi publicado na íntegra pela revista Cláudia: “Em determinado momento, percebi que o contato que ele fazia comigo excedia o profissional”, relatou.

– Vítima diz que homem tentou se masturbar no trem e denuncia assédio: ‘Não se calem’

Após Juliana ter tornado sua história pública, dezenas de atrizes fizeram o mesmo e publicaram depoimentos e mensagens de apoio em suas redes sociais. Desde então, a atriz tem sido uma ‘madrinha‘ da causa, usando de sua experiência como uma inspiração para que outras mulheres tenham a mesma coragem de denunciar para, finalmente, ficarem livres do ciclo de abusos. 

View this post on Instagram

“enfrentar o medo de se manifestar e, com coragem, confrontar o poder continua a ser uma agenda vital para todas as mulheres” (bell hooks, em Erguer a Voz) hoje saiu essa matéria muito bacana no site @universa_uol, na qual pude falar sobre a repercussão do relato e dos meus medos diante desse enfrentamento. uma mulher se reconhecer como vítima dentro de uma sociedade que é inteiramente construída pra que ela se sinta culpada não é uma trajetória simples. e muito menos simples é quando ela resolve falar. os crimes sob os quais fui submetida prescreveram e não posso fazer absolutamente nada em termos processuais. portanto, as afirmações “justiça se resolve na justiça” e “internet é só especulação” não passam de contínuas tentativas de silenciamento que se perpetuam mesmo depois de quando botamos a boca no trombone. neste caso, essas frases não passam de um falso moralismo que tem como único objetivo invalidar a palavra da mulher, evidenciando o machismo estrutural que pode estar enraizado até mesmo em mulheres que se dizem feministas. a minha justiça não se resolve mais na justiça, mas a de outras muitas mulheres sim e é por isso que possíveis especulações não me manterão calada. trazer à público o debate acerca de uma violência que acontece no âmbito particular, familiar e íntimo é um ato político. é dizer NÃO à perpetuação da relação de poder entre homens brancos e mulheres. é romper o silêncio designado à nós e dar mais um passo para ocupação do nosso próprio corpo e lugar. obrigada à Universa por esse espaço, e à Marcela de Genaro ( @degenaro7 ) repórter maravilhosa que me acolheu em sua escuta tão generosa. e claro, obrigada à você @sayonarasarti e @nova.comunicacao sem vcs nada disso seria possível <3 ~ o link da entrevista está nos stories. 📷@felipeovelha

A post shared by JULIANA LOHMANN (@julohmann) on

– Alexandria Ocasio-Cortez, chamada de ‘vadia do c*’ por deputado, responde com a classe que falta ao machista

Já em seu depoimento para a Cláudia, ela menciona a importância desse tipo de empoderamento:

Eu não sei quem é você que me lê. Não sei em que situação você está. Pode ser que esteja vivendo um relacionamento abusivo e não saiba como sair. Pode ser que esteja sob ataques e crimes de violência doméstica. O que é mais triste é que não posso dizer pra você simplesmente ligar 180 e denunciar, porque pode ser que você não tenha dinheiro pra comprar comida sem a ajuda do seu violentador. Mas isso não pode te calar. Procure ajuda de parentes, de vizinhos ou de pessoas próximas. Trace um plano caso precise sair com urgência de casa. Procure proteção do Estado. Não aja sozinha

A atriz também realtou o episódio de agressão que sofreu do então namorado.

“Quando tive coragem de contar esse episódio à um namorado, ouvi que se eu realmente não quisesse ter transado, eu teria jogado um abajur na cara do sujeito. ‘Você quis’, ele dizia. Eu e esse namorado tivemos um relacionamento relativamente duradouro por volta dos meus 20 anos, no qual constantemente sofri violências psicológicas, verbais e físicas”.

Juliana Lohmann explica, ainda no texto da revista Cláudia, que as agresões começaram aos poucos, “com apertões fortes e disfarçados”. Até que a coisa escalou.

“Ele colocou a tesoura no meu pescoço e disse que ia me cortar inteirinha. E me trancou no banheiro de uma festa e ameaçou jogar uma garrafa de whisky na minha cabeça”.

Juliana vai retomar o trabalho em ‘Amor sem Igual‘ depois de cinco meses de paralisação por causa da pandemia. As gravações voltaram nesta segunda-feira (10). Faltam 40 capítulos para o encerramento da novela.

Publicidade

Foto: Reprodução / Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Romero Britto diz à Veja que ‘cafona é quem me critica’ e fala de obra quebrada