Sustentabilidade

Como 1º viaduto vegetado para proteção de mico-leão dourado expõe falha ambiental

por: Redação Hypeness

A Mata Atlântica é o habitat natural do mico-leão-dourado. O pequeno macaco com pêlos avermelhados é considerado espécie ameaçada de extinção, mas seu principal recanto hoje em dia é a Reserva Biológica Poço das Antas, próximo à cidade de Silva Jardim, no interior do estado do Rio de Janeiro. A área de proteção ambiental é cortada pela BR-101 e acabou de ganhar um viaduto vegetado especialmente para os animais. 

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O viaduto vegetado da BR-101 ficou pronto este mês. Passarela tem mudas da Mata Atlântica.

A passarela é a primeira do tipo no Brasil. Foi colocada ali para permitir que os micos-leões consigam atravessar a rodovia sem correrem riscos. De acordo com um levantamento feito pela concessionária que administra aquele trecho da BR-101, o pedaço da estrada que corresponde ao km 218, é o que tem um dos maiores índices de atropelamento de animais da estrada. 

A vegetação plantada no viaduto é composta de mudas nativas da Mata Atlântica. Se tudo der certo, elas vão crescer e deixar os animais menos expostos para atravessar de um lado para o outro. A movimentação é importante para a reprodução. Com o afastamento da colônia pela estrada, os animais acabam se reproduzindo entre parentes, o que pode ocasionar problemas para a preservação da espécie. 

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Mico-leão-dourado é uma espécie ameaçada de extinção.

Aquele trecho da estrada foi construído entre os anos 1950 e 1960. A Reserva Biológica existe desde 1974. É estranho pensar que apenas em 2020 as autoridades responsáveis pela BR tenham se atentado sobre a preservação dos macacos nesse sentido. Ainda mais depois que a rodovia foi duplicada, o que deixou os dois lados da área protegida ainda mais afastados. 

O projeto é de longo prazo e o importante é que nas próximas décadas essa movimentação dos animais seja feita com mais segurança e permita o equilíbrio ecológico na reserva”, explicou Luís Paulo Ferraz, secretário executivo da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), ao “G1”.

A ideia do viaduto vegetado é ótima. Mas é um pouco complexo pensarmos que, enquanto sociedade, precisamos criar vias específicas para os animais que compõem a nossa fauna. Para que a nossa expansão ocorra — com a duplicação de rodovias e a ampliação os limites metropolitanos — precisamos limitar os espaços dos animais. Ou condicioná-los a certas divisas. Não soa estranha a ideia de cercear para proteger? 

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Medidas de proteção aos animais, ainda mais dentro de uma reserva ambiental, deveriam ter ações mais contundentes para proteger espécies ameaçadas. O que acontecerá quando esses animais, por descuido, caírem do viaduto? Antes disso, será necessário que eles entendam o caminho mais seguro a ser tomado para cruzar a pista. Ainda que a lógica do viaduto funcione — como já funcionou em países como o Canadá e é provável que “funcione” aqui —, os animais seguirão correndo riscos com a ocupação humana cada vez mais expansiva. 

Simulação de como o viaduto vegetado deve ficar nos próximos anos.

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Foto 1: Arteris Fluminense / Foto 2: Getty Images / Foto 3: Arteris Fluminense


Redação Hypeness
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