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Designers ilustram sonhos de mil pessoas durante pandemia de Covid-19 a partir de pesquisa

por: Vitor Paiva

O ano de 2020 vem sendo uma sucessão de emoções difíceis e intensas nos atropelando diariamente, e é natural que esse carrossel impacte nosso inconsciente e, assim, também nossos sonhos. Para quem está nos EUA, como se não bastasse enfrentar a pandemia no único país pior que o Brasil em números gerais sobre o impacto do novo coronavírus, há ainda as eleições presidenciais que acontecerão em novembro desse ano, e os sucessivos e ultrajantes casos de violência policial contra pessoas negras provocando justas explosões de protestos contra o racismo estrutural em todo o país. Foi diante desse cenário que, nos últimos três meses, o site The Sleep Judge, especializado em avaliações de colchões, camas e outros produtos ligados ao sono, pediu que os usuários descrevessem seus sonhos – para que eles fossem transformados em imagens.

Ilustração feita a partir dos “Pesadelos políticos”

O impacto do surreal ano de 2020 sobre os sonhos foi descrito na plataforma por 1.020 pessoas dos EUA, e esse onírico conteúdo imagético, sensorial e muitas vezes gráfico foi trabalhado por uma equipe de designers, que partiu de uma seleção de temas recorrentes, assim como de grupos geracionais para estabelecer o repertório comum – e assim desenhar as ilustrações que representam os sonhos gerais de determinado grupo sobre assuntos específicos. O nome do estudo não poderia ser mais claro: “Como são os sonhos da Covid-19?”.

“Sonhos da Geração Z”

Para quem se identifica politicamente como republicano, por exemplo, os assuntos mais recorrentes em pesadelos são o medo de perder o emprego, de suas cidades ou casas serem saqueadas, das revoltas nas ruas, e das cidades serem destruídas. Entre os democratas, o temor é de violência armada em primeiro lugar, seguido de não ser correspondido no amor, medo de sua casa ser invadida, de violência policial, de ser preso, e de violência sexual.

“Sonhos dos millennials”

Na divisão geracional, para a chamada Geração Z – nascida depois de 1996 – a maioria sonha com algum tipo de paz no mundo, seguido pelos protestos do Black Live Matters como veículo para essa paz, e sonhos eróticos e de viagens. Já a Geração X – nascida entre 1965 e 1980 – a nostalgia é senhora, e a maioria sonha com o passado, ou com voltar a um relacionamento já encerrado.

“Sonhos da Geração X”

E segue: entre os chamados Millennials (ou Geração Y) nos EUA – nascidos entre 1980 e 1994) os sonhos se referem, segundo a pesquisa, mais às questões materiais, como ganhar muito dinheiro e alcançar sucesso profissional. Diante da instabilidade do atual mercado, muitos millennials sonham, no entanto, em simplesmente ter um emprego. Já os chamados Boomers – nascidos entre 1946 e 1964 – também se reconectam em sonho com o passado, encontrando-se com pessoas amadas que já partiram.

“Sonhos dos Boomers”

E como era de se se esperar, um tema se faz presente e recorrente em todos os grupos: a atual pandemia. Alguns mais otimistas sonham com a cura da Covid-19, enquanto outros enfrentam pesadelos de terem contraído a doença, na mesma recorrência com que sonham que seus entes amados contraíram o coronavírus.

“Sonhos e pesadelos da Covid-19”

O estudo completo pode ser lido em inglês aqui.

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© artes: The Sleep Judge/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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