Debate

Garis são impedidos de almoçar em restaurante para ‘não constranger clientes’

por: Yuri Ferreira

A fiscal Maria Fátima Dias e dois garis, Jackson Gabriel Dias Ribeiro e Cláudia Gomes Batista, foram impedidos de almoçar em um restaurante em Brasília. Segundo Maria Fátima, que fez a denúncia no Facebook, o Restaurante e Bar Brasil não permitiu que os profissionais da limpeza urbana do DF porque eles ‘constrangeriam clientes’. A empresa nega a acusação.

Na postagem, que viralizou nas redes sociais e foi partilhada por centenas de pessoas, Fátima acusa o restaurante de pedir que eles não poderiam sentar para comer as marmitas ou que, se o fizessem, deveriam usar os fundos do estabelecimento.

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“Eu comprei três marmitas e um refrigerante. Perguntei ‘posso sentar aqui’? A mulher informou que não, pois, se outros clientes que fossem comprar vissem a gente sentado não iriam querer sentar lá, algo assim que ela quis falar”, escreveu Fátima Dias em publicação no Facebook.

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A fiscal afirmou que vai tomar medidas judiciais contra o restaurante. “Já vou entrar com ação por discriminação. Eu trabalho com a quebra de preconceito. Só porque ela viu que os garis estavam uniformizados. Eles acham que os garis sãos burros e não entendem de nada”, escreveu.

A postagem causou comoção nas redes sociais. “Eu também sou gari e defendo minha classe. Esses babacas tem que entender que, em muitas das vezes, quando não pagam empresas terceirizadas pra fazerem a limpeza do lixo deles, quem faz a limpeza somos nós. Tenham mais um pouco de respeito para com nossa classe, por favor. Esses que nos olham com desprezo são mais sujos que o lixo que nós limpamos. Nós garis também somos gente, temos famílias assim como vocês que nos julgam e tentam nos menosprezar”, comentou um usuário.

Segundo o restaurante, a acusação não tem fundamento. Vânia Costa, dona do estabelecimento, afirmou que se tratava de uma promoção de pegar e levar e que o restaurante sequer estava aberto quando os garis chegaram.

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“Eu conheço minha funcionária. Ela explicou que era uma promoção feita só para comprar ali e levar, mas a mulher reagiu de outra forma, disse que não queríamos deixar eles sentarem ali porque eram garis. Não foi por causa disso. O restaurante nem estava aberto e as marmitas foram feitas para pessoas levarem para casa. Quando vi a confusão, eu perguntei o que estava acontecendo. Eu fui lá e disse que ela poderia sentar e comer, mas ela não quis. Só fiquei sabendo de toda essa repercussão hoje”, disse a empresária, por telefone, ao EXTRA. Ela também afirmou que abriu um B.O contra Fátima por difamação.

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Fotos: Reprodução/Facebook


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.


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