Debate

Jovem estuprada no Cafe de La Musique diz que abusador fez Instagram remover sua conta

Karol Gomes - 19/08/2020

Vítima de violência de gênero, a influenciadora digital Mariana Ferrer teve seu perfil no Instagram tirado do ar após denúncias que ela acredita terem partido do seu agressor e a defesa dele. No e-mail de notificação, o Facebook, responsável pela rede social, cita o processo que Ferrer tem contra o acusado, André de Camargo Aranha.

No Twitter, a jovem afirmou que a atitude do Instagram é inaceitável e complacente com o agressor. Para Ferrer, a rede social é, além uma ferramenta de trabalho, também um espaço em que ela pode falar sobre seu trauma e encontrar ajuda.

“Não basta ser vítima de violência contra mulher, o homem que foi indiciado e denunciado pelas autoridades por estupro de vulnerável entrou na justiça para remover minha conta do instagram e silenciar a única voz que tenho para lutar por justiça”, publicou a influenciadora. 

Recentemente, Ferrer havia compartilhado outro desdobramento da sua luta por justiça, desde que foi estuprada, em 2018, enquanto trabalhava no Cafe de la Musique, em Santa Catarina. 

Fotos manipuladas pela defesa do abusador 

No Instagram, ela mostrou que a defesa de seu agressor manipulou algumas de suas fotos, anteriormente publicadas para uma campanha de skincare. Como é possível ver mais abaixo, Mariana aparece sem a parte de cima do biquíni nas fotos adulteradas – como se isso fosse justificativa para o crime de violência sexual cometido contra a jovem.

Na publicação, a blogueira mostra comparações das imagens falsas com as verdadeiras e pede apoio dos seguidores para que ela consiga a quebra do sigilo processual, de maneira que todos tenham acesso ao conteúdo jurídico.

Ferrer também apontou o machismo dos advogados da defesa, que estão tentando construir uma má reputação para ela diante do juiz. “Se caso fosse real (as imagens), eu poderia ser DOPADA E ESTUPRADA? Justificaria um crime hediondo? A resposta é óbvia: NÃO”, argumentou a blogueira.

Entenda o caso de estupro no Cafe de La Musique 

O crime hediondo aconteceu em 2018, no Café de La Musique, um beach club de alto padrão na cidade Florianópolis, Santa Catarina, que possui mais 13 unidades no Brasil. Na noite em que ocorreu o estupro, Ferrer estava trabalhando como embaixadora de uma festa. 

Após ter sido maltratada na delegacia ao registrar o boletim de ocorrência, a influenciadora digital recorreu às redes sociais para contar sua história. Ela publicou uma fotografia com uma calcinha manchada de sangue ao lado de uma solicitação de exame pericial. 

Ferrer acusa a Polícia Civil de omissão e de proteger a identidade do autor do crime por se tratar de uma pessoa com poder. O delegado responsável pelo caso foi afastado. Ele é acusado por Mariana de entrar em sua casa sem mandado judicial. 

“Não é nada fácil ter que vir aqui relatar isso. Minha virgindade foi roubada de mim junto com meus sonhos. Fui dopada e estuprada por um estranho em um beach club dito seguro e bem conceituado da cidade”, afirma.

Mariana revelou, em seu relato, que foi dopada e que, por isso, não se lembrava do rosto do agressor. Ela precisou tomar coquetel de remédios contra a incidência de possíveis doenças durante 30 dias. 

“Ele não se aproximou de mim quando eu estava lúcida. Eu não tenho lembranças dele. Fui levada para um lugar desconhecido por mim e acredito que também seja para a grande maioria das pessoas que lá frequentam. Nenhuma das pessoas que me acompanhava no dia me socorreu, pelo contrário, me abandonaram”, relembrou.

Leonardo Pereima de Oliveira Pinto, advogado do Cafe de La Musique, afirma que o estabelecimento de luxo trabalhou junto da polícia, mas não procurou Mariana depois do ocorrido ou deu algum tipo de assistência. 

A defesa explica que a ausência se deu pela ‘postura’ da jovem nas redes sociais. “Mariana passou a atacar o Cafe como se tivesse participado daquilo tudo”, declarou Leonardo ao site Universa, da UOL.

Hoje, Mariana segue trabalhando com redes sociais, mas sempre busca falar sobre como foi afetada pelo crime e sobre a busca por justiça. Uma delegada está agora à frente das investigações, no entanto ainda não passou os autos do inquérito para a defesa. 

Justiça para todas

Em junho deste ano, Ferrer usou as redes sociais para contar que recebeu diversos relatos de casos similares no mesmo estabelecimento e que, com sua influência, irá dar oportunidade a quem não pode denunciar ou não teve justiça a partir de sua denúncia.

“Estou com uma equipe de advogadas e estamos reunindo relatos de outras vítimas que já foram dopadas e sofreram algum tipo de abuso dentro do mesmo estabelecimento que fui dopada e violentada”, escreve Mariana na postagem, e acrescenta: “Esse é o momento de quebrar o silêncio feito durante todo esse tempo”.

De acordo com sua advogada, Jackie Francielle Anacleto, a repercussão nacional do caso fez com que outras mulheres comentassem na postagem e enviassem mensagens à Mariana falando que passaram por situações similares no mesmo beach club. 

“Estamos reunindo os relatos para depois enviar ao Ministério Público de Santa Catarina e abrir uma ação penal”, explicou a advogada em entrevista ao Correio SC.

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Fotos: Reprodução / Twitter


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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