Diversidade

Jovem que nasceu com testículos no estômago reflete sobre intersexo e preconceito

por: Karol Gomes

Aos 14 anos, Dani Coyle decidiu procurar um médico porque, àquela altura, todas as suas amigas já haviam menstruado e ela não. Ela também sentia cólicas estomacais cada vez mais fortes e notou que sua voz estava engrossando durante a puberdade. 

Hoje, aos 25 anos, ela falou em entrevista ao The Sun sobre seu diagnóstico que apontou testículos no estômago. “Médicos encontraram testículos no meu estômago e nenhum útero”. Exames mostraram que a jovem de Swindon, no Reino Unido, tinha cromossomos XY, geralmente presentes em homens, e nenhum órgão reprodutor feminino, como útero.

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Os médicos a classificaram como sendo intersexual, algo que, na época, a deixou assustada. “Eu tive medo de que ninguém me amaria. Eu estava com raiva das probabilidades e me perguntava ‘por que eu?'”.

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Segundo Dani, seu corpo não respondeu ‘normalmente’ à testosterona que seus testículos produziram, por isso sempre teve uma aparência feminina e foi criada como uma menina. “O que é uma sorte, pois sempre me identifiquei como mulher”, disse. 

Na época, os médicos disseram a Dani que poderiam ‘normalizar‘ seu a situação por meio de cirurgia — o que aconteceu em 2009 — e terapia de reposição hormonal. Neste procedimento, ela retirou os testículos e fez uma plástica na vulva.

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“Disseram-me – e eu acreditei – que [ser intersexo] era um segredo que ninguém precisava saber, então rapidamente fiz a cirurgia para remover meus testículos e ‘normalizar’ minha aparência externa [se referindo à vulva]”, afirma. 

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“Se eu soubesse naquela época o que sei hoje, me pergunto se teria escolhido a cirurgia plástica para mudar o formato do meu corpo”. O que Dani sabe hoje é que ser intersexual não é um defeito, tampouco algo a se ter vergonha. Ela busca, por meio de seu ativismo online, normalizar o termo e levantar representatividade sobre o assunto. 

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Foto: Reprodução / Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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