Debate

Mãe de Eliza Samúdio critica Justiça, goleiro Bruno e pergunta: ‘Cadê o corpo da minha filha?’

por: Karol Gomes

Dez anos após perder a filha, a modelo Eliza Samúdio, sua mãe, Sônia Fátima Moura, vê o assassino Bruno Fernandes voltar à carreira lucrativa do futebol. 

Em 2013, o goleiro foi condenado a 22 anos e três meses de prisão por homicídio triplamente qualificado no caso envolvendo a ex-namorada Eliza, que foi dada como morta pelos investigadores, muito embora seu corpo nunca tenha sido encontrado. Hoje, ele cumpre pena em regime semiaberto e é contratado pelo Rio Branco-AC. “É como se ele estivesse matando a Eliza de novo”, diz Sônia, em entrevista ao Portal IG Delas.

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Para Sônia, o futebol é um espaço que torna Bruno um herói, onde “passa a ser aclamado, aplaudido e admirado”. Ela vê o recebimento da população com o goleiro como uma falta respeito à memória de Eliza.

Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samúdio

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Em coletiva de imprensa, o presidente do Rio Branco, Neto Alencar, afirmou que “como cristão” acredita na ressocialização do goleiro e que ele deve ter uma segunda chance. Já Sônia não acredita no arrependimento de Bruno. 

Na entrevista, ela disse ainda que gostaria de encontrar o corpo da filha e proporcionar um enterro para ela. O corpo de Eliza ainda não foi encontrado e a polícia acredita que foi dado de comer para os cachorros do sítio de Bruno, onde a modelo foi vista pela última vez. 

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Em 2012, Sônia ganhou a guarda definitiva do neto, Bruninho, filho de Eliza e Bruno Fernandes. Hoje, o menino tem 10 anos. “Ele perguntou para mim: ‘Onde a minha mãe está enterrada?’ Eu tive que falar que não sabia, porque o assassino sumiu com o corpo da minha filha – e isso dói muito”, relatou.

Técnica se demite 

A contratação de Bruno provocou a demissão de técnica do elenco feminino do clube do Acre. Rose Costa pediu para sair por não concordar com a chegada do atleta. Ela disse ainda que a ressocialização do goleiro não precisa acontecer com status de ídolo do esporte. 

“Eu não acredito que a justiça tenha sido feita. Acho, sim, que a ressocialização é importante, mas, será que em sete anos de prisão ele não teve tempo de aprender outro tipo de trabalho?”, afirmou em entrevista ao UOL. Vale relembrar que o Rio Branco não participa de nenhum programa de ressocialização de ex-presidiários em nenhuma parte da estrutura organizacional do clube.

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Foto 1: Arquivo Pessoal
Foto 2: Reprodução / Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.


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