Futuro

Máscaras contra coronavírus boiando em praias do RJ preocupam ambientalistas

por: Vitor Paiva

Desde o início da pandemia e da recomendação do uso de máscaras como meio para evitar o contágio pela Covid-19 que ambientalistas rapidamente apontaram o descarte incorreto de máscaras como a nova – e grave – ameaça ao meio-ambiente e à saúde dos oceanos. Tal previsão se confirmou da pior forma possível, com unidades descartáveis do equipamento sanitário boiando pelas orlas de mares do planeta – incluindo, é claro, o Brasil. No Rio de Janeiro, o biólogo e diretor do Instituto Mar Urbano, Ricardo Gomes, em apenas dois dias da semana passada registrou diversas máscaras boiando nas águas cariocas.

© Ricardo Gomes/Instituto Mar Urbano

Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com mais de 20 anos de registro e estudos sobre a biodiversidade marinha do Rio de Janeiro, Gomes lembra que o que surge visível na superfície marinha é normalmente somente 15% do lixo oceânico – e que as máscaras que registrou, portanto, representam uma parte ínfima do problema em sua real dimensão. Se o plástico sempre foi o grande inimigo dos mares, as máscaras agora surgem como um novo – e substancioso – lixo marítimo, que provavelmente já vem sendo comido por animais dos mares.

Um dos problemas é a semelhança das máscaras boiando com seres como águas-vivas, que servem de alimento para peixes e outros animais. As máscaras também liberam uma grande quantidade de microplástico, material com menos de 5mm presente nas fibras sintéticas utilizadas para a produção do equipamento. De modo geral, as máscaras descartáveis utilizam plásticos mistos para serem feitas, como polietileno de alta densidade, polipropileno e poliéster, materiais especialmente duradouros e tóxicos.

Foto ilustrativa de máscara na praia © Getty Images

E poucos ciclos explicam melhor a forma predatória com que o consumo desregrado e a falta de compromisso ambiental agem sobre o planeta: o utensílio que salva nossa vida de um lado, quando descartado de forma irregular se torna o justo inimigo capaz de ameaçar nosso futuro.

© Getty Images

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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