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Padre que teria romance com hacker movimentou R$ 2,2 bi e Vaticano tinha ciência de tudo, diz delegado

Yuri Ferreira - 27/08/2020 | Atualizada em - 03/09/2020

O Padre Robson, alvo de um escândalo de corrupção com a Associação dos Filhos do Pai Eterno (Afipe), teria movimentado mais de 2,2 bilhões de reais em 2 anos, conforme mostra investigação do Ministério Público de Goiás. O escândalo, que vazou após um hacker que mantinha um suposto romance com o pároco católico extorqui-lo, era conhecido por autoridades do Vaticano, demonstrou o delegado do caso que chocou os noticiários brasileiros.

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Padre Robson foi extorquido por hacker que denunciou o império bilionário da Afipe

A acusação mostra que o pároco havia desviado dinheiro de doação de fiéis para fins pessoais e através da Afipe, adquirido mais de 50 fazendas, expandindo seu patrimônio em funções que não cabiam a uma associação de caridade sem fins lucrativos. Além disso, há suspeita de lavagem de dinheiro:

“Não teria problema se os investimentos fossem feitos pelas associações religiosas criadas pelo padre fossem feitos de forma correta. Mas o que percebemos é que há suspeita do uso de pessoas interpostas (laranjas) para figurarem como sócias de empresas que se relacionam com as associações religiosas criadas pelo padre e que fazem entre si operações de um grande volume de dinheiro”, disse o promotor Sandro Halfeld ao GLOBO.

“Estamos falando de um império, de onde foram sacados por pessoas de confiança do padre mais de R$ 100 milhões em espécie de contas de associações religiosas e há indícios de crimes”, completou.

O uso indevido da associação, que coletou milhões de reais dos fiéis desde 2003, parece fraudulento e a situação mostra um uso indevido da fé para enriquecimento pessoal. Saques milionários em espécie e alto poder fazem dessa história escabrosa um thriller policial.

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“Até novembro de 2018, era R$ 1,7 bilhão. Pela repercussão que o caso deu, os bancos liberaram mais um período de movimentação. Nós conseguimos fechar até agosto de 2019, desde 2010, em R$ 2,2 bilhões”, informou o promotor ao G1 Goiás, quando questionado sobre o patrimônio da Afipe.

Polícia: Vaticano sabia das movimentações financeiras do padre 

Conforme a apuração da polícia goiana, membros do vaticano era conscientes do que se tratava e receberam denúncias. O delegado aponta que eles já tinham diversas informações sobre as supostas fraudes do Padre Robson.

“Eles [o Vaticano] narraram que já tinham ciência e que estavam acompanhando as denúncias. Pelo que percebemos, eles tinham um conhecimento avançado da situação”, afirmou delegado Alexandre Pinto Lourenço, superintendente de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) ao Yahoo.

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Em nota, a Arquidiocese de Goiânia, responsável pelo Santuário do Divino Pai Eterno, em que Robson atuava, afirmou que não era ciente das denúncias.

“Nunca houve qualquer questionamento por parte do Vaticano em face da Afipe ou da pessoa do padre Robson de Oliveira e, se houve algum contato com o secretário de Segurança Pública, não foi com representantes do Vaticano”, informaram ao G1.

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Fotos: Divulgação/Afipe


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.

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