Debate

Pandemia de 102 anos atrás tinha torcedores de máscara nos estádios

por: Kauê Vieira

Apesar da pandemia da Covid-19 seguir assolando a maior parte do planeta – e especialmente em países como os EUA e o Brasil – aos poucos as competições esportivas estão retornando em todo o mundo, mas tendo de seguir novas e específicas medidas de segurança – incluindo os campeonatos estaduais e o próprio campeonato brasileiro de futebol, que começou na semana passada. Entre testes contínuos e outras restrições, uma diferença se faz especialmente gritante, ou melhor, silenciosa: a ausência de torcedores nos estádios. Essa não é, no entanto, a primeira vez que uma pandemia alterou a vida dos torcedores e jogadores diante de seus times, como comprova uma série de fotos reveladas recentemente – mostrando um jogo de futebol americano realizado numa universidade nos EUA durante a pandemia de gripe de 1918.

Uma das fotos, com torcedores usando máscaras no estádio em 1918 

As fotos foram trazidas a público por Andy McNeil, engenheiro mecânico da universidade de Georgia Tech e tiradas por seu bisavô, Thomas Carter, na mesma universidade. Nas arquibancadas e no campo, torcedores e jogadores vestiam máscaras para a competição, em imagem até poucos meses atrás inimagináveis na perspectiva contemporânea – e que hoje, mais do que recorrente, tornou-se fundamental e necessária: ver a todos de máscara, seja onde for. A pandemia de gripe de 102 anos atrás, conhecida como Gripe Espanhola, se espalhou pelo mundo entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920, infectando cerca de 500 milhões de pessoas e levando à morte um número estimado entre 17 e 50 milhões de pessoas.

Os jogadores adentrando o campo

Segundo consta, a universidade de Georgia Tech ainda conseguiu disputar sete partidas durante a pandemia de 1918, até as competições serem suspensas. “É uma dose de realidade”, afirmou McNeil. “Antes do coronavírus, eu não podia imaginar estar no Georgia Tech com uma máscara. Uma pandemia nunca passou pela minha cabeça. É uma realidade que a história se repete, e podemos superar isso, mas temos que fazer a coisa certa”, concluiu, lembrando da longa vida que seu bisavô viveu tendo usado máscaras, e o quanto lhe frustra hoje ver tanta gente – nos EUA como também é aqui – não usando o artefato de segurança. “Meu bisavô viveu uma vida inteira, ele conseguiu”, disse McNeil. “Espero que isso inspire as pessoas que tudo ficará bem, eventualmente.”

“Georgia Tech Grant Field [estádio da universidade] durante a epidemia (sic) de gripe de 1918” , diz a legenda escrita nas costas de uma das fotos

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© fotos: Thomas Carter/Andy McNeil/Arquivo pessoal


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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