Matéria Especial Hypeness

Paternidade na Quarentena: proximidade e conexão em tempos de pandemia

por: Gabriela Rassy

A pandemia e a quarentena nos fazem rever o papel da paternidade. Se antes ela tinha uma grande importância, agora a proximidade, o cuidado com os filhos – e com a saúde mental do ou da parceira nessa empreitada, juntos os não, ficou urgente. Apesar de muitos homens e mulheres criticarem casais gays ou pessoas transgênero ocupando o papel de pai, a maior pandemia que temos no Brasil é devastadora e silenciosa: 5,5 milhões de crianças brasileiras não têm o nome do pai na certidão de nascimento.

Assim, acabamos vendo como um ato heróico quando um pai se dedica com devoção ao cuidado de sua cria. Sinto decepcionar, mas isso é o mínimo. Convidamos pais que fazem sua parte para inspirar você que nos lê e almejar quem sabe uma mudança neste cenário longe do ideal que vemos por aqui. Amar, cuidar, pagar contas e dividir tarefas: que sejam funções de todos.

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A quarentena mudou sua relação com a paternidade?

Thammy Miranda
Pai do Bento, 6 meses

Ter me tornado pai foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. É um amor surreal, um amor que não tem como expressar em palavras, algo que é transformador, é algo que vai além de qualquer palavra, é um sentimento único. E essa quarentena tem nos ajudado, mesmo passando por esse tormento todo que estamos passando. Tem sido bom porque a gente tem vivido cada minuto do Bento junto com ele e cada nova conquista, cada aprendizado, cada coisa que que ele faz a gente pode estar perto e acompanhar, dividindo isso com ele. Foi extremamente bom por esse por esse motivo.

 

Francisco Leibholz
Pai da Luna, 7, e da Clara, 3 anos

A quarentena mudou bastante a minha relação com a paternidade. Eu acho que assim, todo o pai presente, que passa bastante tempo com os filhos, acaba aprendendo todo dia, né todo dia com criança é um baita de um aprendizado. Mas quando você fica por longos períodos, por mais tempo, tipo 24 horas por dia, que não é uma coisa tão comum assim, em geral, você acaba percebendo ah as outras nuances, outras formas de pensamento que talvez você demorasse a perceber por conta da rotina. Não só de pensamento, de questionamento, coisas ligadas ao corpo, movimento, acho que isso tá dando para ver mais de perto e é uma evolução bem legal.

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Quarentena.

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Marcelo Sampaio
Pai do Manoel, 13 anos

Esse momento de reclusão, de pandemia foi o momento de poder olhar mais para dentro, de poder olhar mais afundo meu filho, de entender melhor quem ele é, de entender as suas necessidades, de buscar mais a complexidade existente na nossa relação e juntos desvendarmos os mistérios tem entre nós. Acho que nesse período, o mais bacana de tudo foram as lembranças daquilo que a gente já viveu junto, da gente poder sentar, conversar, dar risada e falar: lembra daquele momento, dessa história, dessa experiência. A pandemia trouxe isso, a reclusão trouxe isso. Trouxe a gente poder se abraçar, se olhar mais, frente a frente, a fundo nos olhos, e que poder até mesmo dizer verdades, que o tempo fazia com que elas fossem guardadas na caixinha e depois esquecidas.

Fernando Zarpelon
Pai do Caetano, 9 anos

Eu acho que a mudança tem a ver com esses espaços que se misturaram, né o espaço do trabalho, o espaço da escola. Eu acho que eu tenho conseguido mostrar muito mais para ele entende muito melhor do que eu faço hoje e eu tenho entendido muito mais e participado muito mais das lições dele, das dificuldades que ele passa durante o dia a dia dele e eu acho que essa parte tem sido bem bacana.

Qual a maior descoberta dessa experiência?

Francisco

Minha maior descoberta sobre paternidade na quarentena foi a de tentar descobrir a melhor forma de criar minhas duas filhas, morando numa casa compartilhada, e isso às vezes implica de outros adultos estarem dando bronca, ordem e educando também as crianças.

Marcelo

Eu talvez olhe tudo isso como uma grande oportunidade. Oportunidade? Você tá louco, Marcelo? Que oportunidade é essa? Sim, oportunidade. Oportunidade de parar. Porque se a roda estivesse girando na mesma velocidade, eu não ia ter tempo de parar e observar. Que pai eu sou? Que atitude é essa que eu tô tendo? Quanto estou me dedicando? Quanto eu estou inteiro nessa relação? Possibilidade de olhar-se no espelho e entender: quem é aquele ser lindo, maravilhoso, esse ser o único, que eu chamo de filho e que lindamente me chama de pai.

Fernando

Eu consegui reparar em algumas coisas dele que antes não era possível reparar e isso tem sido uma experiência ótima e tem ajudado demais eu acho que tornado nosso relacionamento mais forte e tem sido bem bacana.

Thammy

Não existe coisa melhor no mundo que ser pai realmente. Eu estou completo, realizado. É simplesmente incrível!

 

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Fotos: Arquivo Pessoal


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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