Debate

Prefeito sugere ozônio no reto e mostra que Brasil não encara coronavírus com seriedade

por: Redação Hypeness

Com o número de 3.648 casos confirmados e 105 mortes pela covid-19, o município de Itajaí, em Santa Catarina, irá contar com um novo método de tratamento para a doença. O prefeito Volnei Morastoni (MDB-SC), contou, por meio de transmissão ao vivo no Facebook, que a cidade vai adotar a administração retal de ozônio (isso mesmo que você leu), colocando a disposição da população, ivermectina e cânfora.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) já declarou que não existe cura para a doença ou tratamento com eficácia comprovada. A automedicação não é recomendada para prevenção da pandemia do novo coronavírus, que matou quase 100 mil pessoas no Brasil em um cenário de ampla subnotificação. 

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Quanto à ivermectina, um documento do Ministério da Saúde esclarece que “ainda não existem evidências clínicas suficientes que permitam tecer qualquer recomendação quanto ao uso de ivermectina em pacientes com covid-19”. O mesmo posicionamento é adotado pela FDA (Food and Drug Administration) – órgão norte-americano equivalente à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O prefeito Volnei Morastoni de Itajaí, em Santa Catarina

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A Anvisa já divulgou nota reforçando que o medicamento tem apenas indicação para uso conforme o que consta na bula — o que inclui o tratamento de sarnas e piolhos. Segundo a agência, “não existem medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da covid-19 no Brasil”.

Contudo, Morastoni, que é médico, insiste nesses tratamentos ilusórios. Ele explicou que inscreveu o município na Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) para iniciar um protocolo de pesquisa para uso do ozônio no tratamento da covid-19. “Estamos providenciando todas as acomodações, os aparelhos, todo o kit necessário para poder aplicar ozônio“, disse. 

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Todas as falas do prefeito foram feitas em tom de ironia, inclusive quando ele disse que apenas pessoas com teste positivo para covid-19 e que desejem vão receber o ozônio, que será administrado com sessões diárias durante 10 dias. 

“Provavelmente vai ser uma aplicação via retal, uma aplicação tranquilíssima, rapidíssima, de 2 minutos, num cateter fininho e isso dá 1 resultado excelente“, afirmou.

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O Conselho Federal de Medicina emitiu uma resolução em 2018 determinando que ozonioterapia só pode ser aplicada no Brasil como procedimento experimental. Segundo o órgão, a terapia deve “ser realizada  sob  protocolos  clínicos  de  acordo  com  as  normas  do  sistema  CEP/Conep, em instituições devidamente credenciadas“.

O paradoxo no país da ‘gripezinha’

O Brasil atravessa um momento de protagonismo por dois motivos. De um lado está a atitude do presidente Jair Bolsonaro e do governo federal como um todo, que insiste em diminuir os impactos da doença, que avança sem controle há mais de 5 meses. A atitude afeta principalmente populações mais vulenráveis, que sofrem com o agravamento da desiguladade social e dos preconceitos que equilibram a sociedade.

Presidente Bolsonaro continua diminuindo efeito de pandemia

Do outro estão profissionais de saúde responsáveis que tratam a pandemia com seriedade. Em todo o mundo, especialistas na linha de frente de combate ao novo coronavírus têm se empenhado em desenvolver a única verdadeira esperança em meio aos mar de fake news e negacionismo: a vacina

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O Brasil se tornou um dos protagonistas na corrida para o desenvolvimento de uma vacina. O país tem até o momento 4 frentes trabalhando na criação de um antídoto contra o coronavírus. São ensaios clínicos realizados por Oxford/AstraZeneca (Reino Unido, fase 3), Sinovac Biotech (China, fase 3) e um esforço coletivo entre Pfizer/BioNTech (EUA/Alemanha, fase 2). O quarto elemento é a farmacêutica chinesa Sinopharm, que fechou parceria com o governo do Paraná e aguarda sinal verde da Agência Brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes.

Em entrevista especial para o Hypeness, o pesquisador titular da Fiocruz, o cientista Rodrigo Stabeli, alerta que “é importante que a gente respeite estas fases” mesmo em um cenário de urgência provocado por uma pandemia. “São elas que nos garantem a segurança e eficácia, fazendo com que a gente não tome um remédio ou vacina que seja insegura e cause mal ao ser humano”, completa.

Trocando em miúdos, ao invés de sugerir propostas mirabolantes e sem sentido, o prefeito de Itajaí deveria concentrar esforços na amenização dos efeitos do novo coronavírus em quem, com razão, faz o isolamento social e se protege com o uso de máscaras.

Lembremos ao prefeito Volnei Morastoni que, até o encerramento desta matéria, o Brasil registrou 2.75 milhões de casos confirmados e 94,702 mil pessoas mortas pela covid-19. 

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Fotos: foto 1: Reprodução/Facebook/foto 2: Getty Images


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