Inspiração

Primeiro partido feminino do Brasil foi criado há 110 anos por feminista indigenista

por: Redação Hypeness

O nome de Leolinda de Figueiredo Daltro (1859-1935) não é muito citado nos livros de história convencionais, mas toda mulher brasileira deveria agradecer à memória dessa baiana pela luta que ela travou em vida. Sua batalha era pelo direito ao voto feminino, quando isso ainda era vetado pelas lideranças políticas do Brasil. Professora de origem indígena, Leolinda nunca desistiu de levantar essa bandeira e foi um das fundadoras do Partido Republicano Feminino, em 1910. 

Antigas propagandas anti sufragistas mostram pavor em garantir à mulher o direito ao voto

Retrato de Leolinda Daltro, em 1933.

A batalha de Linda pela igualdade entre os gêneros a estigmatizou como uma mulher fora de si. Por sua inquietude ante às injustiças sociais, era vista como louca até mesmo por outras mulheres. Ainda mais tendo se divorciado duas vezes em uma sociedade que via na separação conjugal uma grande afronta à moralidade. 

A Constituição de 1891 dizia que todo cidadão com mais e 21 anos teria direito de votar. Leolinda tentou se valer da ambiguidade do termo plural, mas foi impedida. Em um governo regido por homens e, ainda por cima, em uma época em que elas não eram vistas como seres pensantes (ou merecedoras de serem ouvidas), não era de se imaginar que a lei suprema do país fosse verdadeiramente valer para todos. 

Ele coloriu fotos de mulheres lutando por direitos iguais há 100 anos

O presidente Hermes da Fonseca e a primeira-dama Orsina da Fonseca (ao centro), na sede do Partido Republicano Feminino. Ao lado de Orsina, Leolinda Daltro.

Quando o Partido Republicano Feminino foi criado, mulheres não eram autorizadas a se candidatar. Para concorrer a algum cargo oficial, era preciso ser eleitor e elas ainda não tinham esse direito. Mesmo assim, o partido tinha quase 100 representantes femininas em seu hall de membros. Em 1917, Leolinda foi uma das responsáveis por liderar uma passeata que exigia a implementação do direito ao voto também às mulheres. A mudança no Código Eleitoral chegou só em 1932, três anos antes da sufragista morrer, vítima de um atropelamento.

Tirinha resume os motivos pelos quais todos nós deveríamos ser feministas

 

A professora Leolinda Daltro (sentada, ao centro), junto de alunos indígenas.

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Fotos: Wikimedia Commons


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