Debate

Promotora denuncia repórter da Record por importunação sexual; ele nega e cita revanchismo

por: Yuri Ferreira

Segundo apuração do Notícias da TV, a promotora Maria do Carmo Galvão de Barros Toscano, do Ministério Púlibo de São Paulo, denunciou o repórter Gérson de Souza, da TV Record, por importunação sexual no trabalho. Todas as denúncias partem de vítimas que trabalhavam na produção do ‘Domingo Espetacular’, revista eletrônica da segunda maior emissora do nosso país.

Gerson está afastado da Record desde o ano passado. Após acusações de pelo menos 12 mulheres que se sentiram assediadas pelo jornalista, a emissora decidiu tirá-lo da programação. O jornalista, porém, se manteve no quadro de funcionários  e recebe seus salários normalmente. Em breve ele entrará em férias e a TV irá decidir o que fazer quanto ao futuro do jornalista.

– Repórter da Record é acusado de assediar pelo menos 12 mulheres

Gerson de Souza está afastado da televisão desde que foi acusado por 12 mulheres de assédio sexual no trabalho

O relatório do Ministério Público afirma que “por diversas vezes e de forma continuada, importunava as vítimas com palavras maliciosas, comentários de conotação sexual, gestos obscenos e toques lascivos e não consentidos, com elas mantendo contato físico inoportuno, constragendo-as dentro do local de trabalho”. 

As denúncias continuadas pela promotora Maria do Carmo são reforçadas e confirmadas por 9 testemunhas. O primeiro caso de assédio foi denunciado em 2016. A vítima era uma estagiária.

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O crime de importunação sexual, tipificado no artigo 215-A do Código Penal, pode render detenção de 1 a 5 anos. Como se trata de um caso de denúncias continuadas, a denúncia incorpora também o delito de crime continuado. A TV Record afirmou ao Notícias da TV que “segue aguardando o desfecho do caso”.

Em nota à imprensa emitida no ano passado, Gerson se defendeu. Além de alegar que as denúncias tiveram efeito devastador em sua carreira, afirmou que por ter filhas e netas, não poderia assediar mulheres.

“Qualquer pessoa que me conhece ou já trabalhou comigo sabe que eu não sou alguém que ofenderia ou deixaria alguém desconfortável. Tenho certeza que nunca agi de maneira ofensiva e sinto profundamente caso em algum momento de minha trajetória de 42 anos no jornalismo algum de meus colegas tenha se sentido desrespeitado. Sou pai de cinco filhas e avô de quatro  netas e é essencial para mim que mulheres tenham um ambiente de trabalho seguro”, encerrou.

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Fotos: Reprodução/TV Record


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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