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Salvador vai ficar sem azeite de dendê, base do acarajé; fábricas admitem estoques no fim

por: Redação Hypeness

O jornal Correio da Bahia avisa: a terra de Gil, Bethânia, Caetano, Gal, Ivete e tantos outros ases da cultura brasileira corre risco de ficar sem um dos pilares de sua essência, sem o elixir de sua alma, o azeite de dendê, óleo fundamental para produzir iguarias como o acarajé, moquecas baianas e o abará. O folhetim baiano foi em busca dos motivos para isso acontecer e descobriu que o problema está na safra deste ano e na compra excessiva do óleo para a produção de biodiesel. 

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Na Feira de São Joaquim, para onde os distribuidores do óleo mandam boa parte da sua produção, diz-se que a produção rendeu muito abaixo do esperado para o consumo. Com a escassez, vieram os preços absurdos. De acordo com o Correio, nos últimos quatro meses o balde com 16 litros da iguaria líquida quase dobrou: saiu de R$ 65 para R$ 120. O valor de outros produtos que fazem o acarajé, por exemplo, como o feijão fradinho e cebola, também subiram.

O jornal baiano conta que o azeite de dendê já acabou nas fábricas. O que ainda resta do óleo na Bahia é o que foi guardado pelos restaurantes e pelas baianas do acarajé. Como se o cenário não pudesse ficar pior, o azeite do Pará, que poderia servir como um substituto ao dendê, tem tido sua produção escoada apenas para exportações. 

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Um dos entrevistados pelo Correio, Marcos Parente, da empresa Sabor Baiano, explica que a produção regional do azeite foi muito abaixo do esperado. O período atual é de entressafra e ele acredita que tudo deve ser normalizado em dezembro. Ele diz que a situação só não está pior por conta do estoque que resta mas que, mais cedo do que se espera, o azeite vai faltar de vez. 

Produtores localizados nos municípios da Costa do Dendê dizem que a safra deste ano foi de 20% a 30% menor do que a do ano anterior. Outro agravante tem sido a crescente compra do óleo por empresas de petróleo, como a Petrobras, para a produção do biodiesel. 

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As baianas do acarajé já estavam com seu negócio prejudicado pela crise provocada pela pandemia. Sem ir às ruas e com as vendas praticamente paradas, o dinheiro já não estava entrando antes mesmo do dendê encarecer e sumir. 

Sem poder ir às ruas livremente, como sempre fizeram para vender seus quitutes, elas se viram privadas de seu sustento — e de dar aos baianos e turistas que visitam o estado um de seus maiores símbolos. O que será da Bahia sem o óleo essencial do povo brasileiro? Avião sem asa, fogueira sem brasa, é o Brasil assim sem o dendê

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Fotos: Wikicommons


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