Ciência

 A ossada de casal de guerreiros enterrado ao lado de serviçal e suas armas há mais de 2 mil anos

por: Kauê Vieira

Uma incrível descoberta arqueológica na região da Sibéria joga luz sobre os Citas, antigo povo nômade que viveu na região até aproximadamente 2.000 anos atrás: uma cova com mais de 2.500 anos que reunia um casal de guerreiros e suas armas. A singularidade da descoberta, no entanto, não está na mera reunião de um homem e uma mulher na mesma sepultura, mas sim na presença de suas armas – ambos foram enterrados com o mesmo tipo de armamento, indicando que a mulher era parte da mesma frente de combate que o homem. A cova é parte de um grande cemitério intocado da civilização Cita, intitulado Kazanovka-6.

O casal de guerreiros Citas descoberto em cova na SIbéria

Em outras covas encontradas na região, mulheres guerreiras foram desenterradas com armas de longa distância, como arcos e atiradeiras, sugerindo a presença feminina no campo de batalha em posição diferente da masculina – normalmente enterrada com armas de combate corpo-a-corpo, como espadas curtas e machados. A recente descoberta, no entanto, sugere a possibilidade de que as mulheres Citas também se fizessem presentes no combate direto, visto que ao lado do esqueleto feminino encontrado estavam armas de uso manual, como uma machadinha e uma espada curta. Com o esqueleto masculino na cova foram encontrados dois machados, duas adagas de bronze e um espelho de bronze.

O local da descoberta antes da escavação

Algumas das armas e artefatos encontrados no local

Além do casal de guerreiros foram também descobertas ossadas de um bebê e de uma mulher com idade por volta de 60 anos – provavelmente filho e uma serviçal. “Encontramos um armamento incrível”, disse o Dr. Oleg Mitko, chefe da equipe de escavação e do Departamento de Arqueologia da Universidade de Novosibirsk. “Encontramos armas de batalha próxima em uma cova feminina, o que não é comum. Essa mulher tinha uma machadinha de batalha, ela era parte de um grupo de guerreiros”. Em nenhum dos corpos foram encontrados ferimentos de batalha como causa de morte, o que sugere a hipótese de que todos podem ter sucumbido a uma mesma doença ou infecção.

Acima, a cova de um guerreiro solitário descoberta no mesmo local; abaixo, a vista geral do cemitério Kazanovka-6

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© Fotos: Instituto de arqueologia e etnografia/Universidade de Novosibirsk



Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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