Sustentabilidade

Incêndio que destruiu quase 30 mil hectares do Pantanal começou em grandes fazendas, diz PF

Redação Hypeness - 25/09/2020

Segundo investigação da Polícia Federal (PF) iniciada em junho, os incêndios que devastaram 25 mil hectares do Pantanal brasileiro começaram em quatro fazendas de grande porte em Corumbá (MS). A suspeita é que produtores rurais tenham colocado fogo na vegetação para transformação em área de pastagem.

Em setembro, o Pantanal registrou o maior número mensal de focos de incêndio desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998. Entre o primeiro dia do mês e esta quarta-feira (23), data do dado mais recente, foram 6.048 pontos de queimadas no bioma. 

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Um decreto federal, publicado em julho, proibiu queimadas de qualquer tipo em todo o país por 120 dias. Conforme diz a Polícia Federal, havia gado em duas das quatro fazendas de Corumbá onde os focos teriam começado. As propriedades rurais são as seguintes: 

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– Califórnia, que pertence Hussein Ghandour Neto e tem 1.736 hectares;
– Campo Dania, que pertence a Pery Miranda Filho e à mãe dele, Dania Tereza Sulzer Miranda, e tem 3.061,67 hectares;
– São Miguel, que pertence a Antônio Carlos Leite de Barros e tem 33.833,32 hectares;
– Bonsucesso, de Ivanildo da Cunha Miranda e tem 32.147,06 hectares.

Todas elas se enquadram no conceito de grandes propriedades, segundo critérios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), já que têm área superior a 15 módulos fiscais. O módulo fiscal é uma unidade de medida agrária usada no Brasil. Ela é expressa em hectares e varia de cidade para cidade, pois leva em conta o tipo de exploração no município e a renda obtida com essa atividade, entre outros aspectos. Em Corumbá, o tamanho do módulo fiscal é de 110 hectares. Propriedades acima de 1.650 hectares são enquadradas com grandes.

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A PF já possui um conjunto de informações que considera suficientes para indiciar os quatro fazendeiros pelo início das queimadas na região da Serra do Amolar. O MPF (Ministério Público Federal) analisará a questão, e pode ou não denunciar os investigados à Justiça Federal.

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A partir de imagens de satélite da Nasa (agência espacial americana) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), os peritos da PF encontraram vestígios que indicariam a ação humana nas queimadas nas propriedades rurais. A PF também colheu na região depoimentos de trabalhadores das fazendas e de moradores que, segundo investigadores, dificultam a defesa dos fazendeiros.

Ao G1, o advogado de Ivanildo Miranda, Newley Amarilla, disse que a defesa técnica somente será apresentada quando (e se) houver denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF). Falou ainda que Ivanildo já prestou as informações solicitadas pela PF e colabora com as investigações – “que a ele também interessam, pois é uma das vítimas das queimadas”. Os demais fazendeiros citados ainda não se manifestaram.

 

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Fotos: Getty Images


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