Sustentabilidade

Líder indígena Ailton Krenak é eleito intelectual do ano na era das mentiras que destroem o meio ambiente

por: Redação Hypeness

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Em tempos de ataques incessantes ao meio ambiente, a notícia de que Ailton Krenak foi eleito o intelectual do ano é um alento. No Brasil que arde em chamas e diz aos quatro cantos do mundo que nada de errado está acontecendo, a lucidez do líder indígena segue apontando os caminhos possíveis para um desenvolvimento sustentável e que, acima de tudo, respeite a terra

Krenak foi o escolhido pelo ‘Juca Pato’, premiação entregue pela União Brasileira de Escritores. O intelectual é autor dos livros ‘Ideias para Adiar o Fim do Mundo’ e de ‘A Vida Não é Útil’ e concorreu com nomes relevantes como a filósofa e escritora Djamila Ribeiro.

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Ailton Krenak eleito o intelectual do ano em meio ao desmonte ambiental no Brasil

Ailton Krenak luta pela democracia e meio ambiente 

Ailton teve seu trabalho de defesa da democracia reconhecido em uma era onde ela nunca esteve tão frágil. O chamado Brasil real está sob ataque e isso ficou comprovado com a fala do presidente Jair Bolsonaro na ONU. O mandatário resolveu culpar, erradamente, índios e caboclos pelo fogo da Amazônia.

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Ailton Krenak tem 66 anos, é doutor honoris causa pela Universidade de Juiz de Fora e ficou conhecido pela proteção do meio ambiente e uma visão de sociedade para além do mundo perecível em que vivemos atualmente. Em entrevista recente ao Estado de Minas, Krenak falou um pouco sobre o conceito de ‘humanidade enclausurada’, que passa diretamente pelas desigualdades, que infelizmente ficaram maiores com a incidência da pandemia do novo coronavírus.

Floresta tropical pode entrar em caminho sem volta provocado por destruição

“Essa chamada humanidade, na verdade, constitui um grupo seleto que exclui uma variedade de sub-humanidades, caiçaras, índios, quilombolas, aborígenes, que vivem agarradas à terra, aos seus lugares de origem, que são coletivos vinculados à sua memória ancestral e identidade. Esse grupo exclui também 70% das populações arrancadas do campo e das florestas, que estão nas favelas e periferias, alienadas do mínimo exercício do ser, sem referências que sustentam a sua identidade. São lançadas nesse liquidificador chamado humanidade”, ressaltou ao Estado de Minas.

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Cientista diz que agropecuária ajuda a destruir Amazônia

Os índios não queimam o verde, presidente. Eles protegem

O movimento infundado do presidente de culpabilizar os donos da terra pelos incêndios que fazem a Amazônia arder foi questionado por cientistas e ambientalistas. A BBC Brasil ouviu Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, que relacionou o fogo sem controle aos agricultores. Sobretudo os que possuem grande capital financeiro para derrubar árvores centenárias

Índios e caboclos são protetores da terra

O segundo ponto é que mapeamentos bastante rigorosos, feitos em 2020, tanto pelo Inpe quanto pela Nasa mostram que acima de 50% da área queimada na Amazônia é mata derrubada. É o famoso e tradicional processo de expansão da área de agropecuária. E quase tudo, acima de 80% dessa expansão, é feita por grandes propriedades, não é o pequeno agricultor ou o caboclo ou a roça indígena. O pequeno agricultor e o caboclo usam fogo, todos usam, mas o número de área queimada pela pequena agricultura é relativamente pequeno, A grande maioria é área queimada pela expansão de grandes propriedades.

 

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Fotos: foto 1: Reprodução/EBC/foto 2: Getty Images/foto 3: Getty Images/foto 4: Getty Images


Redação Hypeness
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