Ciência

Língua portuguesa está envolvida na possível descoberta de vida em Vênus

por: Vitor Paiva

O anúncio da descoberta recente do gás Fosfina no planeta Vênus pode significar algo muito maior: visto que, na Terra, o gás é produzido por seres vivos, tal presença pode indicar a existência de vida venusiana. Por trás dessa descoberta – como em todas as descobertas científicas – há anos de trabalho e escrita, feita nesse caso, em português. Pois sim, uma parte fundamental de tal pesquisa veio na nossa língua-mãe, a partir do trabalho da astrofísica molecular  portuguesa Clara Sousa e Silva, de 33 anos, que assina o artigo científico que anuncia a descoberta do gás em Vênus, e tanto se dedicou ao estudo do tema que ficou conhecida como “Doutora Fosfina”.

A doutora Clara Sousa e Silva © Heising Simons Foundation/reprodução

Segundo matéria do jornal português Público, Clara começou a estudar a Fosfina quando cursava o doutorado na University College de Londres: cada aluno de seu grupo ficou responsável por estudar um composto, e a escolha da cientista portuguesa foi a Fosfina. Segundo Clara, a descoberta da molécula nas nuvens de Vênus pode ser um forte indicativo de que não só existe vida em outro planeta, mas de que ela está na nossa vizinhança: trata-se de substância dificilmente produzida espontaneamente, fortemente vinculada à presença de vida. A cientista não descarta, no entanto, a hipótese da Fosfina venusiana ser fruto de algum fenômeno ainda desconhecido pela ciência.

Representação do planeta Vênus © NASA/Wikimedia Commons

A astrofísica molecular lembra que, se sabemos que a superfície de Vênus não é habitável, por sua alta temperatura e pressão, nas nuvens do planeta, exatamente onde o gás foi encontrado, a temperatura é boa e a pressão atmosférica é razoável. De todo modo, as possibilidades de vida no planeta teriam de ser anaeróbicas (sem consumo de oxigênio) e especialmente simples, adaptadas à falta de água e a alta concentração de ácido sulfúrico.

As moléculas de Fosfina © NASA

Clara Sousa e Silva atualmente trabalha como pesquisadora na MIT, mas também tem passagem pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, e pela King’s College London, ambas instituições de importância reconhecida internacionalmente. A cientista faz parte do grupo internacional que publicou a descoberta na revista científica Nature Astronomy. A pesquisa foi liderada pela cientista Jane Greaves, da Universidade de Cardiff, e contou com a ajuda de telescópios no Havaí e no Chile.

© Melanie Gonick

Publicidade

© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Corações de cães disparam quando donos apenas dizem que os amam, aponta estudo