Diversidade

Magazine Luiza: reação após vaga exclusiva para negros prova que decisão foi acertada

por: Karol Gomes

Em entrevista ao Estadão, o presidente da Magazine Luiza, Frederico Trajano, comentou a decisão da empresa em colocar apenas negros em seu próximo programa de trainees.

Segundo ele, há um componente matemático: de um lado, há o desequilíbrio entre o número de funcionários e o de lideranças negras dentro da empresa. Por outro, ter à frente pessoas que refletem a realidade da população brasileira levará a tomadas de decisão que aumentarão as vendas – e gerarão maior valor ao acionista.

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“Somos responsáveis por quem selecionamos e promovemosClaramente, se temos 53% da equipe negra e parda e só 16% de negros e pardos em cargos de liderança, há um problema para resolver com uma ação concreta”, disse ao jornal paulista.

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Reação das redes mostra importância de decisão. E racismo reverso não existe  

Enquanto os líderes da empresa parecem estar satisfeitos com a decisão interna, muita gente tem demonstrado aversão ao passo de criar uma seleção de empregos voltada somente para pessoas negras. Comentários negativos e que até negam a existência da desigualdade social provocada pelo racismo acabam justificando a necessidade desse recorte. Na internet, há quem acuse a empresa de praticar algo que não existe: o racismo reverso.

O que precisa ser considerado é que, embora o Brasil tenha uma população de maioria negra – 55,8%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 14,7% de negros e negras respondiam pelos desempregados em 2018 contra 10% dos brancos. É o que diz a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais.

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Outro dado preocupante é que pretos e pardos são maioria em setores com remuneração mais baixa: agropecuária (60,8%), construção civil (63%) e serviços domésticos (65,9%). Essas eram as atividades que tenham menores rendimentos médios em 2017.

Portanto, a decisão da Magazine Luiza de criar uma vaga exclusiva para pessoas é negras é mais do que bem-vinda, é necessária. O Brasil é um dos países mais racistas do mundo e isso refelte na ausência completa de homens e mulheres negras em espaços de tomada de decisão. Algo, aliás, que acontece na própria Magazine Luiza, que tem apenas 16% de funcionários afro-brasileiros em cargos de alto escalão. Gilberto Gil já dizia, “a seta do tempo aponta pra frente”. Queira você ou não. E de novo, racismo reverso não existe.

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Foto: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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