Debate

Mariana Ferrer: André Aranha, acusado de estuprar jovem no Cafe de la Musique, é absolvido

por: Karol Gomes

Em sentença publicada nesta quarta-feira (9), o juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, absolveu o empresário paulista André Camargo Aranha, acusado de estuprar a influenciadora digital, Mariana Ferrer, no Cafe de La Musique, em Jurerê Internacional (SC), em dezembro de 2018.

O magistrado concordou com os argumentos da defesa de que houve ausência de “provas contundentes nos autos a corroborar a versão acusatória”. O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), responsável pela acusação, também se manifestou pela absolvição do acusado ante a “ausência de provas”, em suas alegações finais. 

– Vereadora ouve ‘cala a boca’ de colega e protesta contra ‘chiliques de barba’ na política

O empresário paulista André Camargo Aranha, agressor de Mariana Ferrer, foi absolvido pela justiça

Decisão causou revolta 

A decisão provocou revolta entre pessoas que acompanhavam o caso pelas redes sociais, justamente pelo fato de que existem evidências que comprovam o crime. São elas: vídeos que mostram a incapacidade da vítima de consentir (por ter sido dopada pelo agressor), exames que identificaram o sêmen do acusado e constataram conjunção carnal (quando há a introdução completa ou incompleta do pênis na vagina) e a ruptura do hímen – antes da agressão, Mariana era virgem.

Em busca de Justiça

Desde que procurou justiça pela primeira vez, para reportar o estupro, Mariana sabia que a batalha seria difícil. A influenciadora digital também acusa a Polícia Civil de omissão e de proteger a identidade do autor do crime por se tratar de uma pessoa com poder. O delegado responsável pelo caso foi afastado. Ele é acusado por Mariana de entrar em sua casa sem mandado judicial. 

– Jornalista que ancorou o ‘Jornal Nacional’ diz que foi demitida após denunciar assédio de chefe

Ela também foi ignorada pelo Cafe de La Musique, onde o crime ocorreu. O clube afirmou que trabalhou junto da polícia, mas que não procurou Mariana depois do ocorrido ou deu algum tipo de assistência pela ‘postura’ da jovem nas redes sociais. “Mariana passou a atacar o Cafe como se tivesse participado daquilo tudo”, declarou o advogado Leonardo Pereima de Oliveira Pinto, ao site Universa, da UOL.

Sem apoio das instituições de justiça, a influenciadora decidiu levar o caso a público e chamar atenção da mídia, contando sua história no Twitter

– Ele acredita que o homem não tem que ajudar em casa ‘porque ele é homem’

No mês passado, ela pediu apoio de seus seguidores para conseguir a  quebra do sigilo processual, de maneira que todos tenham acesso ao conteúdo jurídico.

“Gostaria que todos pudessem ter acesso ao processo que estranhamente ainda corre em sigilo (mesmo eu tendo inúmeras vezes solicitado, inclusive durante a instrução, a quebra do segredo de justiça). Venho pedir publicamente apoio (SEM VIOLÊNCIA FÍSICA OU VERBAL) para que me ajudem a conseguir a QUEBRA DO SIGILO PROCESSUAL perante a lei”.

No Instagram, ela mostrou também que a defesa de seu agressor manipulou algumas de suas fotos, anteriormente publicadas para uma campanha de skincare. Mariana aparece sem a parte de cima do biquíni nas fotos adulteradas – como se isso fosse justificativa para o crime de violência sexual cometido contra a jovem.

– Facebook cita Justiça ao suspender conta de jovem estuprada no Cafe de la Musique

“Se caso fosse real (as imagens), eu poderia ser DOPADA E ESTUPRADA? Justificaria um crime hediondo? A resposta é óbvia: NÃO”, argumentou a blogueira.

Mariana ainda teve seu perfil no Instagram tirado do ar após denúncias que ela acredita terem partido do seu agressor e a defesa dele. No e-mail de notificação, o Facebook, responsável pela rede social, citou o processo que ela tem contra o acusado, agora absolvido. 

Justiça para todas

Em junho deste ano, Ferrer usou as redes sociais para contar que recebeu diversos relatos de casos similares no mesmo estabelecimento e que, com sua influência, irá dar oportunidade a quem não pode denunciar ou não teve justiça a partir de sua denúncia.

“Estou com uma equipe de advogadas e estamos reunindo relatos de outras vítimas que já foram dopadas e sofreram algum tipo de abuso dentro do mesmo estabelecimento que fui dopada e violentada”, escreve Mariana na postagem, e acrescenta: “Esse é o momento de quebrar o silêncio feito durante todo esse tempo”.

De acordo com sua advogada, Jackie Francielle Anacleto, a repercussão nacional do caso fez com que outras mulheres comentassem na postagem e enviassem mensagens à Mariana falando que passaram por situações similares no mesmo beach club.

“Estamos reunindo os relatos para depois enviar ao Ministério Público de Santa Catarina e abrir uma ação penal”, explicou a advogada em entrevista ao Correio SC.

Publicidade

Foto 1: Reprodução / Facebook
Foto 2: Reprodução / Twitter


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Mulher sofre estupro coletivo por 12 homens em SP e precisamos falar sobre isso