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Mercado Blu-Ray dá as caras novamente na quarentena com filmes de nicho; entenda

por: Vitor Paiva

No capitalismo, todo produto um dia condenado ao ostracismo e ao esquecimento pode viver seu momento de fênix, e ressurgir das cinzas, reposicionado para novamente se tornar potencialmente rentável – e se o caso, por exemplo, dos discos de vinil se justifica pela qualidade do som, pela parte gráfica dos discos e pelo prazer da experiência de ouvir um LP, outros ressurgimentos se dão mais pela necessidade e as circunstâncias do que pela própria qualidade do produto. A pandemia do novo coronavírus, por exemplo, trouxe de volta os drive-ins como alternativa às salas de cinema – e aparentemente outro produto que voltou a circular foi o Blu-ray, curiosamente para o mercado alternativo e de clássicos do cinema.

O Blu-ray chegou ao Brasil em 2007, como uma mídia de melhor definição em vídeo e áudio em comparação ao DVD, mas nunca chegou a alcançar grande sucesso no mercado brasileiro – o alto custo dos aparelhos e dos próprios CDs dificultou o crescimento do mercado. A chegada dos serviços de streaming de vídeos ajudou a definir o declínio do mercado, que vêm caindo radicalmente em todo o mundo. Para quem, no entanto, procura uma experiência de especial qualidade – como no caso dos LPs – e de carinho com o filme ou série em questão, o Blu-ray pode ainda ser a solução. E por isso, ainda que grandes distribuidoras estejam abandonando o formato, empresas menores vêm retomando catálogos de grandes diretores ou obras alternativas para pequenas distribuições – conforme mostra matéria no UOL.

Segundo a reportagem, obras de grandes nomes como Brian de Palma, Stanley Kubrick e David Lynch são nomes quentes nessa retomada em nicho, e naturalmente o fechamento das salas de cinema por conta da pandemia ajudaram a reaquecer esse até então moribundo mercado. A falta de aparelhos, porém, vem sendo um problema em tal processo – ao ponto que a comunidade de amantes da sétima arte preparou uma petição a fim de pedir a volta da fabricação dos tocadores de Blu-ray, já com mais de 3 mil assinaturas. Se as circunstâncias tornarão o Blu-ray um produto-fetiche para os cinéfilos da mesma forma que o LP jamais deixou de ser, isso só o futuro dirá – mas o fato é que sempre há, por mais inesperada que seja, uma demanda aguardando por aquela oferta esquecida no passado.

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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