Debate

Racismo: modelo diz que sentiu medo após cabeleireiro associar cabelo crespo ao estupro

por: Karol Gomes

“Esse cabelo ou essa pessoa é um filhote de patrão, porque o patrão comeu uma escrava e gerou isso aqui”. Frases tão chocante ou até piores do que essa foram ditas pelo cabeleireiro Wilson Eliodorio e capturadas em um vídeo que viralizou nas redes na última semana. Os comentários foram direcionados a modelo Mariana Vassequi, que aparece nas imagens completamente congelada, sem reação, diante do racismo.

Tudo o que aconteceu ali foi assustador: a maneira com que o cabeleireiro tocava no cabelo de Mariana, os comentários sobre a escravização dos povos negros e até do abuso sexual das mulheres negras escravizadas. Tudo em tom de ‘piada‘. 

– Racismo: funcionária acusa gerente da Rosa Chá de chamá-la de escrava na frente de colegas

Em entrevista para a Marie Claire, a modelo conta que havia sido contratada para divulgar uma marca de produtos para o cabelo e foi pega de surpresa pelas falas do profissional. Ela explica que, na hora, tentou manter a postura profissional. 

“Senti medo, muito medo. Você está ali exercendo seu trabalho, não espera que vá ser agredida verbalmente dessa forma. Até porque veio de uma pessoa que eu não imaginava que falaria tal coisa. Depois, veio uma paralisação, de medo. Se essa pessoa se sente confortável em falar isso e ninguém está falando nada, então é porque está todo mundo bem confortável também”, disse.

– Comentarista demitido após mandar jogador ‘pra senzala’ tinha grupo no WhatsApp com mesmo nome

Mariana disse que vai tomar medidas legais contra o ato racista do cabeleireiro Wilson Eliodorio

A carga atingiu Mariana com tudo. A modelo revelou que que está indo atrás dos seus direitos para tratar legalmente da situação. Não entrou em detalhes sobre o processo, mas garantiu que está em busca de justiça.

– Juíza condena homem por ser negro e diz em sentença que crimes são ‘razão de sua raça’

“O racismo não é um erro, é um crime. Gostaria que todas as pessoas que passaram por essa situação possam se conscientizar dos seus direitos. Muita luta e muita tristeza aconteceram para que o racismo fosse considerado um crime, para que as vítimas pudessem ser respaldadas, e a gente deve levar em consideração esse histórico”.

Ela contou ainda que ficou muito feliz em ver atrizes como Taís Araújo se posicionando contra o ato de racismo, o que traz mais força à causa. “Existem mulheres de baixa renda, negras de baixa renda. Elas sentiram o que senti, elas também já aceitaram um trabalho que não gostavam pelo dinheiro. Me senti no dever de falar por essas mulheres, que representam a maior parte do Brasil”, falou à Marie Claire. 

– Carrefour se desculpa por guarda-sol para cobrir corpo de homem morto e manter loja aberta

Wilson Eliodorio é justamente por atender famosas – e mulher negras. No seu currículo, tem clientes como Taís Araújo, Elza Soares, Iza, Cris Viana, Gaby Amarantos e Naruna Costa. O nome dele sempre circulou como especialista em cabelos crespos e cacheados.

Depois do ocorrido e da repercussão nas redes sociais, Wilson publicou um vídeo em seu Instagram e pediu desculpas a Mariana e Ruth Morgan, outra modelo que participou do evento. Após a publicação do vídeo, o cabeleireiro não concedeu mais entrevistas e informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está em um momento profundo de reflexão. 

Publicidade

Foto: Reprodução/Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Xuxa reúne famosos em resposta a Sikêra Jr: ‘sexo com animais e crianças é estupro’