Debate

Vereador que cheirou calcinha comestível em chamada de vídeo consegue salvar mandato

por: Redação Hypeness

Filiado ao PSC (Partido Social Cristão), o vereador Benedito Franco Bueno, conhecido como Ditinho do Aliso, foi flagrado, em junho deste ano, cheirando uma calcinha vermelha comestível durante uma sessão ordinária remota. Pelo ato, a Câmara de Vereadores de Bragança Paulista (a 90 km de São Paulo) resolveu permitir que ele mantenha seu mandado e, como punição, irá aplicar uma advertência simples ao parlamentar

Na sessão virtual, no momento em que os vereadores Fabiana Alessandri (PSD) e Quique Brown (PV) debatiam a necessidade do corte de eucaliptos na cidade, o parlamentar do PSC ergue a peça íntima, a aproxima do rosto e cheira. O vereador Maufid Doher (Podemos) tenta alertar o colega, mas, segundos depois, Ditinho vira a câmera — sem qualquer comentário, com o microfone desligado. A cena viralizou nas redes sociais.

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A decisão de adverti-lo foi comunicada no último dia 17 de agosto pela Comissão de Ética do legislativo municipal e frustrou um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas, coletadas até essa sexta-feira (4), que pedia a cassação do mandato do vereador.

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“Além da falta de decoro parlamentar, a situação implica em grave violação dos direitos humanos das mulheres, já que representa o total menosprezo, ridicularização e falta de respeito à fala e participação das mulheres em espaços públicos de poder. Até quando as mulheres serão violentamente desrespeitadas nas ruas, em suas casas, em seus ambientes de trabalho, em espaços de poder, etc, e os autores de tais violências continuarão impunes?”, diz trecho da petição, criada pelo Coletivo Batuque Raízes da Nega, de mulheres percussionista. 

Em entrevista ao site Universa, a advogada e ativista Ana Luiza de Oliveira, uma das fundadoras do coletivo, afirmou que o manifesto do grupo, formalizado também como nota de repúdio, foi uma das cinco petições protocoladas na Câmara Municipal contra o vereador.

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Advogada vê quebra de decoro

Na avaliação da advogada, o comportamento dele durante a sessão configura quebra de decoro de maneira dolosa, ou seja, intencional. Ela justifica citando um entendimento diverso do que foi dado pela comissão de ética da casa para a qual apenas as penalidades de advertência, censura ou suspensão seriam possíveis na análise do caso. Venceu a mais branda, de advertência ao parlamentar.

“O vereador tem mais assinaturas na petição virtual pela cassação do que os votos que o elegeram para o mandato [991]. Entendemos que houve dolo, sim, na atitude dele, uma vez que o gesto foi feito na Câmara, no gabinete dele, em uma sessão e durante a fala de uma vereadora mulher. Portanto, faltou respeito e sobrou machismo”, diz.

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O vereador Benedito Franco Bueno, conhecido como Ditinho do Aliso

Vereador: ‘eu nem sabia o que era aquilo’

Candidato à reeleição em outubro e integrante da base do prefeito Jesus Chedid (DEM) na Casa, Ditinho já presidiu o conselho central da Sociedade São Vicente de Paulo e a Vila São Vicente de Paulo, em Bragança. “Eu nunca tinha visto uma calcinha de sex shop, comestível. Aceitei aquele presente de um amigo de uma forma muito bacana. A Câmara, dentro de uma visão jurídica legal, proporcional e razoável, julgou meu entendimento de maneira correta. Eu nem sabia o que era aquilo [a calcinha], foi ingenuidade minha”, justificou.

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Para o vereador, o fato de ele ter aberto o suposto presente durante uma sessão remota com outros colegas e durante a fala de uma vereadora não representou dolo ou desrespeito às mulheres. O parlamentar ainda atribuiu a reação das mulheres do coletivo a um suposto interesse eleitoral.

A advogada e fundadora do coletivo refutou a insinuação e disse que nem ela, nem nenhuma das integrantes do grupo tem filiação partidária e, portanto, não são pré-candidatas nas eleições de novembro.

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Foto 1: Divulgação / Câmara Municipal de Bragança Paulista
Foto 2: Reprodução / Câmara Municipal de Bragança Paulista


Redação Hypeness
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