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Violoncelista negro preso por causa do racismo possui trajetória brilhante na música

por: Redação Hypeness

Pai, negro e futuro universitário, o violoncelista Luiz Carlos da Costa Justino, de 23 anos, disse, em entrevista ao jornal O Globo, que pretende dar a volta por cima após ter sido preso injustamente e levar adiante a sua carreira como músico profissional. 

O jovem é nascido e e criado na Grota do Surucucu, em São Francisco, onde passou a infância e a adolescência inteiras conectado à música na Orquestra de Cordas da Grota. Hoje, o músico mora com a mãe, cinco irmãos, a mulher Mariana, e a filha Melissa, de 3. Desde março, quando bares fecharam por causa da pandemia, perdeu o dinheiro que ganhava com apresentações ao vivo. 

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Em julho, os espaços reabriram, mas as exibições continuam proibidas. O foco de Luiz Carlos da costa Justino agora é arrumar um emprego fixo para pagar uma faculdade de música. No entanto, um acontecimento no dia 2 de setembro acabou abalando essa trajetória de Justino. Ele foi preso após ser parado numa blitz quando saía de uma apresentação musical nas barcas. 

Preto é sempre suspeito? 

Por estar sem documento, foi levado 76ª DP (Centro), onde o informaram que, contra ele, havia um mandado de prisão por um assalto à mão armada, ocorrido numa manhã de novembro de 2017. Mas um contrato de trabalho prova que, na hora do crime, Justino tocava com o primo e o tio numa padaria. Não adiantou, o racismo agiu mais uma vez e o músico ficou quatro dias na cadeia por um crime que não cometeu. O violoncelista foi solto domingo passado (6).

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Fundador da Orquestra de Cordas da Grota, Márcio Selles diz que esse não foi o primeiro caso constrangedor que acometeu um membro de seu projeto. “Essa foi a única prisão, mas desde que começamos, em 1995, recebemos olhares preconceituosos. Já ocorreram situações em que mandaram nossos alunos entrarem pela porta dos fundos do restaurante. E até de um ônibus frescão onde os meninos estavam ser parado pela polícia pelo simples fato de eles serem negros. Vivemos num país racista e precisamos admitir isso”, disse ao O Globo. 

Trajetória:

Justino começou a amar música aos 6 anos, tocando flauta por influência de primos violinistas José Carlos Vidal, o Katunga, hoje maestro da orquestra, e Ricardo Vidal, de 38; ambos da Grota — espaço que Luiz Justino passou a frequentar já naquela idade. 

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Enquanto estudava música, o menino também cursava o ensino fundamental no Colégio Estadual Duque de Caxias, no bairro onde mora. Dividia suas atenções entre a escola, a música e o seu hobby favorito até hoje: o futebol — ele é flamenguista roxo.

Na pré-adolescência, seguiu os passos dos primos e aprendeu a tocar violino na Orquestra da Grota. Mas só chegou ao ápice de sua sensibilidade artística em 2012, quando, aos 15, foi apresentado ao violoncelo, instrumento que toca até hoje.

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Embora toque violoncelo há oito anos, Justino ainda não tem um para chamar de seu; o que usa é emprestado da orquestra. Na terça-feira (8), após a repercussão de seu caso, uma empresa de instrumentos de São Paulo doou a ele quatro conjuntos de cordas e um arco do instrumento. Um violoncelo completo custa entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.

“Sonho ter meu próprio instrumento. Então, tem como não ficar feliz com esses presentes? A dificuldade que passei só fez aumentar a minha vontade de crescer na música”, disse Justino.

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Fotos: Reprodução/Instagram


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