Fotografia

10 fotos de mais de 160 anos foram coloridas para lembrar o horror da escravidão nos EUA

por: Vitor Paiva

Se o trabalho de colorização de fotos antigas pode simplesmente provocar um interessante impacto visual, para o artista gráfico britânico Tom Marshall, tal trabalho possui um sentido muito mais profundo e impactante – de denúncia dos horrores do passado, trazidos à atualidade pelas cores vívidas de fotografias feito fossem novas. Depois de colorizar imagens das vítimas do Holocausto, na Alemanha nazista, seu trabalho atual revelou as terríveis cores das fotografias de escravos negros nos EUA do século XIX. Sua ideia de colorizar as imagens era de também contar um pouco da história das pessoas escravizadas, registradas nas fotos.

“Ao crescer no Reino Unido, nunca me foi ensinado dobre a Guerra Civil dos EUA, ou qualquer outra história sobre o século XIX para além da revolução industrial”, diz Tom. “Pesquisando sobre as histórias dessas fotos, eu aprendi sobre como os horrores da venda de seres humanos construiu o mundo moderno”, comentou, lembrando que o tráfico de pessoas escravizadas foi proibida no Reino Unido em 1807, mas seguiu permitido nos EUA até 1865.

O trabalho de Tom se baseia na certeza de que uma foto colorida chama mais atenção do que uma foto em P&B – abrindo assim uma janela para os horrores do passado que construíram os horrores de hoje.  O Brasil foi um dos últimos países do mundo a terminar com a escravidão de seres humanos, em 13 de maio de 1888.

“As Costas Açoitadas”

Uma das mais célebres e terríveis fotos do período, a foto foi utilizada como propaganda pelo fim da escravidão. A pessoa fotografada se chamava Gordon, também conhecida como “Whipped Peter”, ou Peter Chicoteado, um homem que havia tentado fugir meses antes, e a foto foi tirada em Baton Rouge, no estado da Louisiana, em 2 de abril de 1863, durante um exame médico.

“Willis Winn, com 116 anos de idade”

A foto foi tirada em abril de 1939, e nela Willis Winn segura uma espécie de berrante, instrumento utilizado para chamar os escravos ao trabalho. À época da foto, Willis afirmou ter 116 anos de idade – visto que o fazendeiro que o aprisionou, Bob Winn, o informou a vida inteira que ele tinha nascido em 1822.

“Pessoas escravizadas fugitivas”

Tirada durante a Guerra Civil, entre 1861 e 1865, a foto mostra duas pessoas não identificadas, vestindo roupas em trapos, em Baton Rouge, no estado da Louisiana. A data exata da foto não foi informada, mas no verso da imagem a legenda diz: “Contrabando recém chegado”. Contrabando era um termo utilizado para descrever pessoas escravizadas que haviam fugido para se juntar às forças da União, no conflito.

Omar ibn Said, ou ‘Tio Marian’’’

Nascido em 1770, Omar ibn Said foi sequestrado da região onde hoje é o Senegal, em 1807, e levado para o estado da Carolina do Sul, nos EUA, onde permaneceu escravizado até sua morte, em 1864, aos 94 anos. Formado em educação entre professores islâmicos – com quem estudou por 25 anos – , Said era alfabetizado em árabe, estudioso de aritmética, teologia e mais. A foto foi tirada em 1850.

“Pessoa escravizada não identificada de Richard Towsend”

A foto mostra uma pessoa escravizada não identificada, prisioneira da fazenda de Richard Towsend. A foto foi tirada no estado da Pensilvânia.

“Leilão e venda de negros, Whitehall Street, Atlanta, Georgia, 1864”

Essa foto mostra, como o título indica, um local de leilão e venda de pessoas escravizadas no estado da Georgia. A foto foi tirada por George N. Bernard, fotógrafo oficial durante a ocupação da União no estado.

“Colheita de batata na plantation de Hopkinson”

A foto mostra uma plantação de batata doce no estado da Carolina do Sul, e tirada em 1862 por Henry P Moore, fotógrafo que registrou a Guerra Civil.

“Georgia Flournoy, escrava liberta”

Georgia Flournoy tinha 90 anos quando essa foto foi tirada em sua casa, no estado do Alabama, em abril de 1937. Georgia nasceu em uma plantation, e nunca conheceu sua mãe, falecida durante o trabalho de parto. Ela trabalhou como enfermeira, na “casa grande”, e nunca pôde socializar com outras pessoas escravizadas.

“’Tia’ Julia Ann Jackson”

Julia Ann Jackson tinha 102 anos quando a presente foto foi tirada – em 1938, em El Dorado, no estado do Arkansas, em sua casa, numa antiga plantação de milho. A grande lata prata mostrada na foto era utilizada por Julia como forno.

“Demonstração do uso de um sino”

A foto mostra Richbourg Gailliard, diretor-assistente do Museu Federal do Alabama, demonstrando o uso de um “Bell Rack”, ou Cabide de Sino, em tradução livre, uma sinistra ferramenta de controle contra a fuga de pessoas escravizadas. O sino ficava comumente pendurado na parte superior do utensílio, que ia preso nas pessoas escravizadas, e fazia soar as badaladas como alarme para os guardas em caso de fuga.

 

 

 

 

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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