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15 milhões de pessoas deve passar fome no Brasil em 2020

por: Redação Hypeness

Os números são alarmantes: um estudo elaborado pela ActionAid, instituição que atua há mais de 20 anos no combate à fome e à pobreza no Brasil, mostra que quase 15 milhões de pessoas devem passar fome no Brasil até o fim de 2020. O dado é mais uma consequência do aumento da desigualdade social e do crescimento da extrema pobreza no país. De acordo com um documento elaborado pela organização, “o retorno ao Mapa da Fome deixa de ser uma ameaça para se tornar uma realidade”.

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Relatório da ActionAid mostra que, até o fim de 2020, quase 15 milhões de brasileiros vão passar fome.

Os anos anteriores já mostravam uma tendência à acentuação desse problema. Em 2014, o Brasil registrava o índice mais baixo de sua história com relação à extrema pobreza, com 4,5% da população. No entanto, até o ano passado quase cinco milhões de pessoas voltaram à condição de miserabilidade. 

“As medidas empregadas pelos governantes para o enfrentamento da crise econômica não apresentaram os resultados prometidos. Aconteceu o contrário, com o agravamento da extrema pobreza e das desigualdades no país. Sem poder aquisitivo, reduz-se a alimentação, cai a qualidade dos alimentos e aumenta a insegurança alimentar”, diz a nota técnica divulgada pela ActionAid. 

A crise provocada pela pandemia do coronavírus deve agravar ainda mais a situação. Segundo o documento, com base em dados do Banco Mundial, cerca de 7% da população brasileira viverá na extrema pobreza até dezembro. 

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Durante a pandemia, a organização elaborou pesquisas em comunidades vulneráveis para entender como a crise havia afetado diretamente essas famílias Na favela de Heliópolis, a maior de São Paulo, percebeu-se que ao menos 68% das 711 famílias entrevistadas perderam alguma renda por conta dos impactos da Covid-19. 

Outro dado alarmante é que 42% dessas famílias estavam deixando de fazer uma das três refeições diárias básicas por falta de recursos para comprar alimentos. 

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Moradoras da favela de Heliópolis, em São Paulo, andam em uma das vielas da comunidade.

O documento destaca alguns fatores que, além da pandemia, levaram o país a retroceder tanto: o desmonte das políticas públicas de Segurança Alimentar, a demolição da estrutura institucional de apoio a programas sociais, a destruição dos meios de subsistência — alavancados pela devastação ambiental que assola o país —, a alta dos preços de alimentos básicos e a redução do auxílio emergencial. 

Apesar do cenário, a nota da ActionAid reflete que a tragédia, paradoxalmente, “oferece ao país uma revisão de planos equivocados que nos colocam novamente diante do Mapa da Fome”. “Não há outra saída, senão a flexibilização de princípios ideológicos que se mantidos farão o país trilhar caminhos que afetam gravemente nossa soberania e a construção de um país mais justo”, destaca o economista Francisco Menezes, analista de Políticas e Programas da ActionAid no Brasil.

 

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Fotos: Getty Images


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