Diversidade

8 livros para conhecer e se aprofundar nos feminismos decoloniais

por: Redação Hypeness

Partindo do princípio de que não há mulher universal e de que o colonialismo deixou sequelas inclusive intelectuais nas nações em que se instalou, o feminismo decolonial surge para colocar em pauta as consequências e imposições dos sistemas coloniais sobre mulheres e para contextualizar as discussões do feminismo a partir de recortes de raça, classe, gênero e sexualidade. Com raízes ancestrais e inspirações na luta interseccional de ativistas negras que defenderam um feminismo mais plural nos Estados Unidos, o conceito é debatido em livros de autoras comprometidas em discutir as especificidades da opressão colonizadora e apresentar as lacunas excludentes do feminismo liberal branco.

Como explica Juliana Gonçalves, jornalista fluminense e mestranda em Políticas Públicas em Direitos Humanos pela UFRJ, “não há uma forma única/universal dessa prática [feminismo colonial]”. Assim, visões complementares de feminismos decoloniais (no plural mesmo) se fazem relevantes e indispensáveis para uma compreensão dos temas levantados dentro do conceito.

– Antirracistas jogam no rio estátua de comerciante de escravizados e prefeito defende ato

Para contribuir com estudos e compreensões sobre o tema, a “Revista CULT” listou oito livros para entender e se aprofundar no assunto. Veja logo abaixo:

‘Um feminismo decolonial’, de Françoise Vergès

Editora Ubu, 142 páginas

Organizado e traduzido por Jamille Pinheiro Dias e Raquel Camargo, o livro de 2019 foi escrito pela autora, historiadora e cientista política francesa Françoise Vergès, de 68 anos. Na publicação a estudiosa critica o que chama de “feminismo civilizatório”, aquele representado por mulheres brancas, burguesas europeias.

Como ressalta a curadoria desta lista, Françoise defende que o feminismo deve ser “necessariamente multidimensional” e que precisa “incluir em suas pautas e reflexões as dimensões de classe, raça e sexualidade”.

‘Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento’, de Patricia Hill Collins

Boitempo Editorial, 480 páginas

Traduzido por Jamille Pinheiro Dias, o livro da socióloga afro-americana Patricia Hill Collins, de 72 anos, é indispensável para o feminismo das mulheres não brancas e antirracistas. Nele, a autora desenvolve conceitos importantíssimos, como “imagem de controle” e o “estrangeiro dentro” (outsider within, no idioma original), que são fundamentais para a construção de teorias e políticas de resistência à colonização intelectual e identitária.

‘Eu sou atlântica: sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento’, por Alex Ratts

Instituto Kuanza/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 130 páginas

Uma coletânea dos principais textos da historiadora sergipana Maria Beatriz Nascimento (1942-1995), a publicação é de extrema importância para compreender a luta e a resistência à colonialidade no Brasil.

Imagem da capa de ‘Um feminismo decolonial’ ao lado da autora, Françoise Vergès / Foto: Anthony Francin/Divulgação

‘Pensamento feminista: conceitos fundamentais’, por Heloisa Buarque de Hollanda

Bazar do Tempo, 440 páginas

Organizado por Heloisa Buarque de Hollanda, a obra reúne textos de algumas autoras centrais para o feminismo das mulheres não brancas, como Audre Lorde, Patricia Hill Collins e Gloria Anzaldúa, cujos trabalhos servem de inspiração para o feminismo decolonial.

– As makes decoloniais do maquiador indígena Kwarahy Tabajara

‘Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais’, por Heloisa Buarque de Hollanda

Bazar do Tempo, 456 páginas

O livro conta com os principais textos sobre feminismo decolonial latino-americano e caribenho. Com contribuições da argentina María Lugones (pioneira no tema); das dominicanas Yuderkys Espinosa e Ochy Curiel; das brasileiras Lélia Gonzalez, Angela Figueiredo e Suely Messeder; da boliviana Julieta Paredes; entre outras.

‘Por um feminismo afro-latino-americano’, de Lélia Gonzalez

Editora Zahar, 344 páginas

Organizada por Flavia Rios e Marcia Lima, a coletânea reúne textos da grande socióloga brasileira Lélia Gonzalez (1935-1994), precursora do pensamento decolonial no país, e conta com conteúdo produzido entre 1979 e 1994.

Imagem da capa de ‘Eu sou atlântica’, uma coletânea de textos de Beatriz Nascimento, retratado ao lado direito / Foto: Arquivo Nacional

‘Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano’, de Grada Kilomba

Editora Cobogó, 248 páginas

Traduzido por Jess Oliveira, o livro da artista interdisciplinar, escritora e teórica portuguesa Grada Kilomba, de 52 anos, faz uso da psicologia do filósofo e psiquiatra antilhano Frantz Fanon (1925-1961) como forma de estimular a “fala da subalterna”, a narrativa de si próprio.

‘Irmã outsider: ensaios e conferências’, de Audre Lorde

Autêntica Editora, 240 páginas

Traduzido por Stephanie Borges, a coletânea de ensaios da poeta e ativista do feminismo negro e lésbico estadunidense Audre Lorde (1934-1992) apresenta o “pensamento sobre a diferença” que influenciou bastante a teoria da resistência e o pensamento da liminaridade — em que pessoas ocupam um entre-lugar social indefinido — de María Lugones.

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Fotos: Créditos nas imagens


Redação Hypeness
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