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As makes decoloniais do maquiador indígena Kwarahy Tabajara

por: Bárbara Martins

Louie Vieira ou Kwarahy Tabajara é um maquiador indígena de 22 anos que mora no Rio de Janeiro e combate pensamentos racistas e eurocêntricos por meio da arte. Ao ir contra o imaginário de que pessoas indígenas se encaixam sempre nos mesmos estereótipos visuais, Kwarahy elabora makes decoloniais — que vão contra a visão colonizadora de como são as diferentes etnias nativas das Américas — e ressalta a importância da resistência e do autorreconhecimento identitário.

Também estudante de Psicologia, Louie se declara como “semente do povo Tabajara” e explica a origem do nome indígena “Kwarahy”. “Agora, assino como Kwarahy. Meu nome indígena do qual tenho tanto orgulho. Nome que foi me dado pelo cacique Urutau Guajajara, para me significar. Com um significado tão eu que nem sei; Sol. Ardente, brilhoso, enérgico. E é por ele que quero ser reconhecido”, escreve o jovem em um post no Instagram (@eukwarahy).

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“Quando ouvirem [o nome Kwarahy], saberão que carrego comigo os ancestrais que um dia sonharam com essa minha caminhada. E que eu levo junto os meus, também”, continua. “Boa parte da minha vida, não me reconhecia como tal [indígena], devido a apagamentos que sofremos sempre. Mas tenho a honra de estar todos os dias refazendo o caminho de volta, e isso começa quando a gente se reconhece e tem orgulho de como fomos projetados.”

Kwarahy utiliza as redes sociais — Twitter (@eukwarahy) e Instagram (@eukwarahy) — para divulgar alguns dos próprios trabalhos como maquiador e para desconstruir diversos mitos sobre pessoas indígenas, como o de que olhos puxados não comportam maquiagens mais elaboradas.

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Algumas vezes com base em releituras de pinturas corporais indígenas, Louie também usa a criatividade para se inspirar em animais típicos da flora brasileira (como a arara azul), em outros elementos naturais (como o arco-íris) e até mesmo em seres mitológicos (como a fênix) na hora de elaborar maquiagens.

Defensor da liberdade de poder ser o que quiser, Kwarahy é uma grande referência do que deveria ser a indústria da beleza do presente e do futuro: inclusiva e aberta à pluralidade de aparências e de identidades. Mas não a partir de visões deturpadas, e, sim, por meio do olhar e da voz de quem, de fato, é e faz.

Veja algumas das maquiagens feitas por Kwarahy Tabajara:

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Fotos: Reprodução Twitter/@eukwarahy


Bárbara Martins
Criada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, é jornalista, fotógrafa e videomaker. Envolvida pela cultura, história e arte de subúrbios e periferias, dedicou pouco mais de dois anos à cobertura de pautas relacionadas à música como redatora do site Reverb, antigo parceiro do Rock in Rio. Em formação pela UFRJ, também tem experiência com produção de conteúdo para redes sociais, assessoria de imprensa e gravação de sessions e entrevistas.

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