Ciência

Cientistas desenvolvem enzima capaz de degradar plástico PET em dias

por: Vitor Paiva

Reduzir a quantidade de plástico que acaba em aterros sanitários e, assim, na natureza é necessidade urgente – e a solução pode estar em uma enzima: mais precisamente, em uma enzima mutante. A novidade foi anunciada a partir de uma parceria entre pesquisadores ingleses e estadunidenses, tendo a bactéria Ideonella sakaiensis, descoberta no Japão em 2016 e capaz de digerir o tereftalato de polietileno (PET), como base. A “super enzima” anunciada nasceu de uma alteração realizada na bactéria japonesa, que aumentou sua capacidade digestiva em 20%, podendo assim degradar o plástico em poucos dias.

© Getty Images

Publicada em artigo na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, a pesquisa teve início em 2018, reunindo cientistas da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, com o Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL) do Departamento de Energia dos Estados Unidos – para estudar a PETasa, enzima produzida pela bactéria. A ligação de duas enzimas da Ideonella sakaiensis produziu a atual versão “turbinada”, com uma potência de degradação do plástico seis vezes maior que a primeira versão.

Amostra da Ideonella sakaiensis © Greenyway

Segundo John McGeehan, líder do estudo e diretor do Centro de Inovação de Enzimas da Universidade de Portsmouth, apesar da incrível resistência do PET à degradação, a super enzima pode ser uma das mais eficazes soluções para reduzir a poluição plástica no meio-ambiente. A ideia agora é intensificar as parcerias entre pesquisadores, universidades e empresas para não só descobrir se é possível intensificar ainda mais a capacidade de digestão da enzima, como também para torna-la em produto viável: estima-se que em dois anos as enzimas mutantes possam começar a ser comercializadas.

Ilustração do estudo publicado © divulgação

Essa não é a primeira enzima mutante capaz de digerir plástico: também em 2020 a empresa Carbios publicou uma análise com enzima capaz do mesmo processo. A crise da poluição plástica é aguda e urgente: o tempo estimado de duração de uma garrafa PET na natureza é de no mínimo cem anos – e 1 milhão de garrafas PET são vendidas por minuto no planeta.

© Getty Images

 

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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